Agora
Mundo

Zelenskyy rejeita eleição em tempo de guerra: 'um tsunami' que pode dividir a Ucrânia

O presidente Volodymyr Zelenskyy rejeitou a proposta do ex-ministro Mykhailo Fedorov de realizar eleições durante a guerra, citando riscos de segurança, obstáculos logísticos e um déficit de defesa de US$ 27 bilhões; a proposta reabriu questionamentos sobre tr…

Zelenskyy rejeita eleição em tempo de guerra: 'um tsunami' que pode dividir a Ucrânia
Imagem de capa: Presidential Communications Office — Public domain, via Wikimedia Commons.
Compartilhar:

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy respondeu com veemência à proposta do ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov de convocar eleições enquanto vigora o estado de guerra, afirmando que a medida seria “um grande risco” e um “tsunami” capaz de "dividir" o país. A declaração ocorreu em um briefing amplo com jornalistas, no contexto de uma nova rodada de ataques russos e das limitações impostas pelo regime de guerra.

Zelenskyy rejeita eleição de emergência e descreve riscos institucionais

Zelenskyy afirmou que a legislação ucraniana proíbe a realização de eleições durante o estado de guerra e que essa norma vinha sendo respeitada até a manifestação pública de Fedorov. "Eleições agora são um tsunami para o país que vai dividir a Ucrânia", disse o presidente, acrescentando: "Se quisermos destruir o país, então podemos seguir na direção de eleições durante estes tempos de guerra."

O presidente argumentou que segurança, logística e a integridade do processo estariam seriamente comprometidas enquanto o país sofre ataques e mantém áreas parcial ou totalmente ocupadas, tornando imprevisível a participação segura de eleitores e a proteção do resultado.

Fedorov, demitido em julho após cerca de seis meses no cargo, publicou um vídeo de nove minutos pedindo um pleito e sustentou que "a democracia não pode ficar refém da Rússia". Sua saída motivou protestos e mostra que há um segmento público — especialmente entre eleitores mais jovens — disposto a pressionar por mudança política.

Especialistas consultados pelos veículos que cobriram o episódio apontam que, na prática, um pleito em tempo de guerra enfrentaria obstáculos significativos, incluindo a votação de militares na linha de frente, milhões de refugiados e residentes de territórios ocupados, além de riscos de ataques e de exploração por campanhas de desinformação. Pesquisas recentes indicam também que a maioria dos ucranianos apoia manter a suspensão das eleições enquanto vigorar o regime de guerra.

Déficit de defesa, interceptores e acordos citados por Zelenskyy

No mesmo briefing, Zelenskyy vinculou a rejeição imediata a eleições à necessidade de priorizar recursos para a defesa. Ele destacou a redução nas entregas de interceptores Patriot: 264 em 2026, contra 364 em 2025 e 675 em 2023, segundo números apresentados à imprensa.

O presidente informou que a Ucrânia enfrenta um déficit de financiamento de defesa de US$ 27 bilhões neste ano. Para 2027, afirmou que o país precisa de pelo menos US$ 8 bilhões para um "início normal" e outros cerca de US$ 20 bilhões para despesas correntes ligadas às forças — como salários e pagamentos a familiares de mortos.

Em termos de reabastecimento de capacidade aérea, Zelenskyy citou acordos: um sistema SAMP/T com a França ainda este ano e um fornecimento de cerca de 600 interceptores PAC-2 e PAC-3 pela Alemanha entre 2027 e 2028. Além disso, mencionou aporte da Noruega equivalente a 85 bilhões de coroas para 2027. O presidente também disse que a Ucrânia busca produzir interceptores Patriot domesticamente, com apoio político dos EUA.

Mobilização russa, alternativas tecnológicas e repercussões políticas internas

Zelenskyy alertou que Moscou pode tentar ampliar seu contingente militar no futuro próximo: delegações e análises citadas pela imprensa indicam a possibilidade de uma mobilização russa de centenas de milhares de soldados após eleições russas previstas em setembro ou em 2027, conforme relatos veiculados pelos meios que cobriram suas declarações.

Na área tecnológica, o presidente afirmou que Rússia e China estariam desenvolvendo uma alternativa ao sistema Starlink que poderia entrar em operação em dezembro, e que a Ucrânia está implementando um projeto semelhante com um país europeu.

Politicamente, a proposta de Fedorov reabriu debates sobre transparência e corrupção: o ex-ministro afirmou ser necessário responder perguntas sobre supostas irregularidades; autoridades nacionais, incluindo órgãos anticorrupção, investigam esquemas recentes envolvendo pagamentos e garantias judiciais. Esses episódios ampliaram a pressão pública por esclarecimentos, mesmo que a maioria das vozes institucionais e populares se mostre desfavorável a eleições imediatas.

Por ora, a combinação de riscos práticos, necessidades de rearmamento e apelos por investigação interna mantém a proposta de eleições improvisadas em forte resistência institucional, enquanto partidários de Fedorov continuam a pedir debate público sobre o futuro democrático do país.

Fontes consultadas: Al Jazeera - Latest News · DW - International News · The Guardian - World · BBC News - World

Avaliações e comentários

Entre na sua conta para comentar.

Ainda não há avaliações aprovadas.