O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por meio da Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN), propôs a revogação do acesso de corresponsais bancários em dólares à filial da Banque Misr nos Emirados Árabes Unidos. Segundo o órgão, a regra impediria essa unidade de processar transações em dólar por meio do sistema financeiro dos EUA, isolando-a do mercado americanо dessa moeda.
Alcance da proposta da FinCEN e as alegações do Tesouro
O Tesouro afirma que a medida incide exclusivamente sobre as operações da Banque Misr nos Emirados e não afetará as atividades do banco no Egito ou em outras filiais no exterior. A agência diz que, entre janeiro de 2024 e junho de 2026, a unidade dos Emirados processou aproximadamente US$ 1,8 bilhão para 103 empresas que seriam potencialmente parte de redes bancárias paralelas iranianas.
Nas declarações do governo citadas pela cobertura, a filial dos Emirados foi caracterizada como um "elo crítico" para o acesso do regime iraniano ao dólar americano. O Tesouro também afirmou que clientes daquela unidade incluiriam empresas usadas por órgãos iranianos para contornar sanções e lavar dinheiro, incluindo entidades ligadas ao Ministério da Defesa do Irã e à Guarda Revolucionária Islâmica, segundo sua avaliação.
A aplicação final da regra depende do encerramento de um período público de comentários. A proposta prevê que a restrição entre em vigor 30 dias após o término desse prazo.
Impacto prático sobre a filial nos Emirados e resposta da Banque Misr
Na prática, a perda do acesso a bancos correspondentes dos EUA significaria que a Banque Misr UAE ficaria limitada ou impedida de mover recursos em dólares por meio do sistema bancário norte-americano, o que pode restringir operações comerciais nessa moeda.
Em comunicado, a Banque Misr disse estar analisando a notificação do Tesouro e que irá contatar as autoridades americanas por mais informações. O banco afirmou que, enquanto estuda a medida e os dados citados, sua filial nos Emirados continua a prestar serviços conforme as regras aplicáveis.
O próprio texto da proposta e a previsão de um período de comentários públicos foram ressaltados pelo banco como parte do processo regulamentar antes de qualquer decisão final.
Reações institucionais e investigações nos Emirados e no Egito
O Banco Central do Egito e o Ministério das Relações Exteriores do país informaram que estão em contato com autoridades dos EUA sobre o caso, sublinhando que a medida é limitada às transações em dólar da filial nos Emirados e não afeta outras operações do setor bancário egípcio.
As autoridades financeiras dos Emirados anunciaram a abertura de uma "examinação especial e urgente" das operações da Banque Misr no país, com uma análise forense abrangendo o período apontado pelo Tesouro americano. O regulador emiradense destacou a expectativa de que bancos licenciados não exponham o sistema financeiro do país a riscos reputacionais ou ao uso indevido da infraestrutura financeira local.
Paralelamente à proposta contra a Banque Misr, o Tesouro dos EUA tem aplicado outras medidas na mesma campanha, incluindo sanções a indivíduos e empresas que, segundo Washington, teriam ajudado o Irã a gerar receitas e acessar o sistema financeiro global.
Contexto da ação americana e medidas paralelas citadas
A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo do governo dos EUA identificado na cobertura como "Operation Economic Outcast", descrito como uma campanha para ampliar a pressão econômica sobre o Irã.
Além da proposta da FinCEN, foram mencionadas sanções do Office of Foreign Assets Control (OFAC) contra o gerente-geral da filial de Bank Melli em Dubai, Reza Mohammad Taeedi, e contra empresas como a Kameng Trading Limited, apontada por supostamente auxiliar pessoas sancionadas iranianas a acessar o sistema financeiro internacional.
Autoridades iranianas rejeitaram as sanções; na cobertura citada, representantes do Irã disseram que as medidas não terão efeito e defenderam que o país está acostumado a contornar sanções. A proposta da FinCEN seguirá seu processo administrativo enquanto bancos e reguladores envolvidos continuam a revisar e investigar os pontos levantados na notificação do Tesouro.
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