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Vučić e o projeto de US$500 milhões da família Trump: pressão pela revogação da proteção do General Staff em Belgrado

O Guardian diz que o presidente sérvio Aleksandar Vučić pressionou para revogar a proteção do prédio histórico do Estado‑Maior e favorecer uma concessão de 99 anos a uma empresa ligada a Jared Kushner; a intervenção gerou renúncias, investigações por abuso de…

Vučić e o projeto de US$500 milhões da família Trump: pressão pela revogação da proteção do General Staff em Belgrado
Imagem de capa: The White House from Washington, DC — Public domain, via Wikimedia Commons.
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Por que isso importa: a denúncia liga decisões sobre patrimônio cultural e concessões de terreno à iniciativa privada a possíveis favores políticos a investidores estrangeiros, num caso que resultou em acusações criminais inéditas contra membros do governo e que se desenrola num ano eleitoral. O centro da controvérsia é o General Staff, um edifício histórico de Belgrado cujo estatuto de proteção, segundo o Guardian, foi alvo de intervenção direta do presidente Aleksandar Vučić.

Pressão presidencial sobre o estatuto do General Staff

Segundo reportou o Guardian, Vučić convocou para o palácio presidencial, em 6 de fevereiro de 2024, Dubravka Đukanović — então diretora do instituto de proteção do patrimônio — e outros responsáveis para tratar do futuro do prédio do Estado‑Maior. Fontes citadas descrevem que o presidente exigiu a revogação da proteção, classificou servidores como "preguiçosos e incompetentes" e deixou implícita a alternativa: obediência ou renúncia.

Por lei, a remoção da proteção exigiria um parecer técnico do instituto e um processo formal; Đukanović e outros oficiais consideraram que as condições legais não estavam presentes e recusaram‑se a iniciar o procedimento. Em resposta às pressões, o ministro das Finanças Siniša Mali reiterou o pedido e, segundo o sumário do indiciamento, sugeriu que os responsáveis deveriam pedir demissão caso não avançassem com a alteração — o que levou às renúncias de Đukanović e de Olivera Vučković.

À medida que a sequência de encontros e cobranças veio à tona, a distinção entre intervenção política e procedimentos técnicos sobre patrimônio tornou‑se central para o caso: a própria diretora que renunciou escreveu que não aceitaria "intervenções inadequadas que destruíssem permanentemente os valores do complexo", frase incluída no seu carta de demissão vista pelo Guardian.

Contrato de concessão e o papel das empresas ligadas à família Trump

O Guardian afirma ter visto um contrato, datado de 13 de maio de 2024, no qual as autoridades sérvias teriam garantido à empresa de Jared Kushner uma concessão de 99 anos sobre o terreno do General Staff sem pagamento. O acordo vazado também indicou que esse “investidor estrangeiro” estaria interessado no sítio.

Kushner e a Trump Organization negaram participação em eventuais intervenções para remover o estatuto de proteção. Seus porta‑vozes disseram que a sugestão de um arranjo do tipo “pay to play” era falsa, e afirmaram que Kushner não esteve envolvido nos processos internos do governo sobre a classificação do imóvel. Ainda assim, imagens do projeto e declarações públicas demonstraram interesse da família Trump no empreendimento.

A reportagem relaciona esse caso com uma campanha global de negócios da família Trump, citando uma série de projetos e alegações de benefícios políticos e comerciais em troca de favores — contexto que ajuda a explicar por que as decisões sobre o General Staff atraíram escrutínio público e judicial.

Indiciamentos, prisões e suspensão temporária do projeto

O plano provocou protestos e uma investigação por um grupo especializado em crime organizado. Promotores apresentaram acusações de abuso de poder contra figuras seniores do regime — entre elas o ministro da Cultura — e qualificaram o caso como sem precedentes para a Sérvia.

Após uma série de prisões relacionadas ao caso, incluindo a detenção de Goran Vasić — nomeado para chefiar o instituto de patrimônio após as renúncias — e subsequentes indiciamentos, a empresa de Kushner anunciou que o projeto não seguiria "neste momento". A reportagem vincula as prisões e as acusações ao colapso das tentativas de avançar com a revogação da proteção e com a concessão do terreno.

As autoridades que promovem o caso afirmam dispor de evidências sobre a reunião de fevereiro de 2024, mas o sumário do indiciamento não menciona explicitamente essa reunião. Essa omissão levanta perguntas sobre peças do processo não tornadas públicas, e os promotores disseram que conduzem procedimentos pré‑processuais para apurar responsabilidades de outras pessoas.

Impacto político e incertezas judiciais às vésperas da eleição

O episódio ocorre antes da eleição marcada para 25 de outubro, na qual Vučić pretende manter influência ao concorrer ao cargo de primeiro‑ministro após deixar a presidência. O presidente reagiu às acusações chamando os promotores de "gangues corruptas" e prometendo responsabilizar quem, segundo ele, causou perda de um "excepcional investimento".

As audiências que poderiam trazer testemunhos sobre a intervenção presidencial foram adiadas devido à convocação antecipada das eleições, o que posterga possíveis esclarecimentos no processo. Até o momento coberto pela reportagem, não há informação pública de que Vučić tenha sido formalmente indiciado; ele e Mali negam irregularidades.

Enquanto promotores e ativistas — que em Belgrado disseram que "a Sérvia não é um buffet, e Vučić não é um garçom" — continuam a monitorar a interseção entre patrimônio cultural, concessões privadas e relações diplomático‑comerciais, permanecem abertas perguntas centrais: quais peças de prova os procuradores possuem, por que certas reuniões não aparecem no indiciamento e que impacto o caso terá na agenda política até e após a eleição.

Fonte consultada: The Guardian - Business

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