# Terremotos em série pelo mundo: o que está acontecendo e por que tantos tremores chamaram atenção
**Em pouco mais de uma semana, fortes terremotos atingiram Colômbia e Indonésia, enquanto novos tremores foram registrados na Espanha e no Afeganistão. Centenas de pessoas morreram, milhares ficaram feridas ou desalojadas e uma pergunta começou a surgir: há algo fora do normal acontecendo com o planeta?**
Nos últimos dias, terremotos registrados em diferentes partes do mundo ganharam espaço nas manchetes internacionais. Alguns provocaram destruição significativa e elevado número de vítimas. Outros foram menores, mas chamaram atenção por ocorrerem pouco tempo depois de grandes desastres em outros continentes.
Apesar da proximidade no calendário, os eventos não devem ser tratados automaticamente como partes de uma única sequência sísmica global. Os dados disponíveis mostram terremotos ocorrendo em sistemas tectônicos diferentes e com características bastante distintas.
## Colômbia vive uma das maiores tragédias sísmicas de sua história recente
O caso mais grave desta sequência começou em **10 de agosto**, quando um terremoto de magnitude **7,4** atingiu o oeste da Colômbia, próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, o terremoto ocorreu a aproximadamente **110 quilômetros de profundidade** e foi provocado principalmente por um movimento do tipo transcorrente, quando blocos de rocha se deslocam lateralmente em relação uns aos outros.
O terremoto foi sentido em uma extensa área do país e atingiu cidades importantes como Cali, Pereira, Manizales e Quibdó.
Até 18 de agosto, diferentes atualizações citadas pela Reuters colocavam o número de mortos na faixa de **280 a 290 pessoas**, com **mais de 4 mil feridos** e aproximadamente **140 desaparecidos**. Os números ainda eram considerados provisórios.
Além das perdas humanas, o impacto econômico já é gigantesco. Uma estimativa preliminar apresentada pelo governo colombiano apontava perdas próximas de **30 trilhões de pesos colombianos, cerca de US$ 9,6 bilhões**, considerando danos a edifícios e infraestrutura.
Centenas de tremores secundários também foram registrados após o terremoto principal. Cinco dias depois da ocorrência, já haviam sido contabilizadas mais de **269 réplicas**, enquanto operações de emergência continuavam em diversas regiões.
## Indonésia: magnitude 7,7, mortes e quase 1.600 tremores posteriores
Poucos dias depois, outra grande emergência começou do outro lado do planeta.
Em **14 de agosto, no horário UTC — madrugada do dia 15 no horário local**, um terremoto de magnitude **7,7** atingiu a região do mar de Flores, no leste da Indonésia.
O USGS localizou o epicentro aproximadamente **68 quilômetros ao norte-noroeste de Ende**, com profundidade estimada em apenas **10 quilômetros**. Diferentemente do evento colombiano, o terremoto indonésio ocorreu associado principalmente a um mecanismo de falha reversa.
A pouca profundidade contribuiu para fortes impactos próximos à região afetada.
Até 18 de agosto, autoridades indonésias informavam **pelo menos 68 mortos e mais de 200 feridos**. Milhares de moradores deixaram suas casas, enquanto equipes de emergência tentavam chegar a áreas afetadas por deslizamentos e estradas bloqueadas. Cerca de **500 residências** haviam sido danificadas segundo dados divulgados pela agência de desastres do país.
Um dos números que mais chama atenção é a quantidade de atividade sísmica posterior: autoridades já haviam contabilizado **quase 1.600 tremores secundários em East Nusa Tenggara** até segunda-feira, 17 de agosto.
O terremoto também levou autoridades a emitir temporariamente um alerta de tsunami. Pequenas alterações no nível do mar foram registradas, mas o alerta acabou sendo retirado posteriormente.
## Espanha também registra sequência de terremotos
Enquanto Colômbia e Indonésia enfrentavam situações de emergência, o sul da Espanha passou a registrar sua própria sequência sísmica.
Na região de Granada, um terremoto próximo de magnitude **5** ocorreu em 14 de agosto. Novos tremores foram sentidos no dia **18 de agosto**.
Dados mais recentes do Instituto Geográfico Nacional da Espanha registraram um terremoto de **magnitude 4,8**, a cerca de seis quilômetros de profundidade, próximo de Villa de Otura, além de outros eventos de magnitudes 4,0, 3,9 e 4,2 na mesma região.
Ao menos **três pessoas sofreram ferimentos leves**, segundo autoridades regionais. Houve danos em construções, fechamento preventivo de instalações públicas e restrições temporárias em partes do complexo histórico da Alhambra. O metrô de Granada também reduziu a velocidade dos trens como medida de segurança.
A situação espanhola, portanto, possui uma dimensão muito diferente dos desastres registrados na Colômbia e na Indonésia, mas reforçou a percepção pública de que terremotos estavam acontecendo sucessivamente em várias regiões do planeta.
## Novo terremoto é registrado no Afeganistão
Na noite de 18 de agosto, o Centro Sismológico Euro-Mediterrânico, EMSC, também registrou um terremoto de **magnitude 5,3 na região de Jurm, no Afeganistão**.
Até a elaboração desta reportagem, não havia nas fontes confiáveis consultadas um balanço consolidado de vítimas ou danos relacionado a esse evento específico.
Essa diferença é importante: **magnitude elevada não significa automaticamente grande número de vítimas**.
Profundidade, distância de cidades, densidade populacional, qualidade das construções, características do solo e capacidade de resposta das autoridades podem transformar dois terremotos de magnitudes semelhantes em acontecimentos completamente diferentes.
## Um resumo dos principais eventos
| Região | Data | Magnitude principal | Situação conhecida |
| ----------------- | ----------------- | ---------------------: | ---------------------------------------------------------------------------------- |
| Colômbia | 10 de agosto | **7,4** | Cerca de 280–290 mortos, mais de 4 mil feridos e aproximadamente 140 desaparecidos |
| Indonésia | 14/15 de agosto | **7,7** | Pelo menos 68 mortos, mais de 200 feridos e milhares de evacuados |
| Granada, Espanha | 14 e 18 de agosto | **cerca de 5,0 / 4,8** | Três feridos leves e danos materiais |
| Jurm, Afeganistão | 18 de agosto | **5,3** | Sem balanço confiável de vítimas disponível até o fechamento |
Os números podem mudar conforme novas avaliações oficiais forem concluídas.
## Afinal, há mais terremotos acontecendo no mundo?
A concentração de notícias pode transmitir essa impressão, mas os dados históricos exigem cautela.
Segundo o USGS, registros de longo prazo indicam uma média aproximada de **16 grandes terremotos por ano** no planeta: cerca de 15 eventos na faixa de magnitude 7 e aproximadamente um terremoto de magnitude 8 ou superior.
Em alguns anos esse número fica abaixo da média; em outros, acima. Períodos nos quais vários grandes terremotos acontecem relativamente próximos uns dos outros também fazem parte da variação natural observada historicamente.
Isso significa que a sequência observada agora merece acompanhamento, mas, por enquanto, **não há base científica para afirmar que o planeta entrou em uma fase excepcional ou que todos esses terremotos estejam diretamente relacionados**.
Há inclusive diferenças claras entre os eventos: o terremoto colombiano aconteceu a aproximadamente 110 quilômetros de profundidade e envolveu principalmente movimento transcorrente, enquanto o terremoto de magnitude 7,7 da Indonésia ocorreu a apenas 10 quilômetros de profundidade e envolveu movimento reverso.
São mecanismos e contextos tectônicos distintos.
## Por que alguns terremotos matam muito mais que outros?
A magnitude é apenas uma parte da história.
Um terremoto muito forte e profundo pode liberar enorme quantidade de energia sem produzir o mesmo nível de destruição de um evento menor que ocorra praticamente abaixo de uma cidade densamente ocupada.
A resistência das edificações também é decisiva. Países e cidades com normas sísmicas rigorosas, sistemas de alerta, treinamento da população e infraestrutura preparada tendem a reduzir significativamente os impactos.
Por isso, comparar apenas o número escrito depois da palavra “magnitude” pode produzir uma visão incompleta do risco.
## Réplicas podem continuar durante semanas ou meses
Depois de um grande terremoto, a crosta terrestre precisa se reajustar às mudanças de tensão provocadas pelo evento principal.
Esse processo produz os chamados **aftershocks**, ou réplicas.
Na Indonésia, a quantidade de tremores posteriores já se aproximava de 1.600 poucos dias depois do terremoto principal. Na Colômbia, centenas também haviam sido registrados.
A maioria é menor que o terremoto principal, mas alguns eventos secundários podem ser suficientemente fortes para provocar novos danos, especialmente em construções que já foram afetadas.
## Terremotos podem ser previstos?
Não da maneira como uma previsão meteorológica consegue indicar chuva ou temperatura.
O USGS afirma que nem seus cientistas nem outros pesquisadores conseguiram prever previamente um grande terremoto determinando com precisão **data, local e magnitude**. O que a ciência consegue fazer é identificar regiões de maior risco, estudar falhas, calcular probabilidades e monitorar a atividade sísmica.
Essa distinção também ajuda a combater informações falsas que geralmente aparecem nas redes sociais depois de grandes desastres.
## O que os próximos dias podem revelar
Colômbia e Indonésia continuam avaliando a extensão total dos danos, e novos tremores secundários ainda podem ocorrer.
Na Espanha, os institutos sismológicos seguem monitorando a sequência registrada em Granada. Em outras regiões do planeta, milhares de terremotos menores continuarão sendo detectados diariamente por redes internacionais de monitoramento.
O ponto mais importante é separar **atividade sísmica real de interpretações alarmistas**.
Os últimos dias foram, sem dúvida, marcados por uma sequência impressionante de acontecimentos: terremotos fortes em continentes diferentes, centenas de mortes, milhares de feridos e uma quantidade elevada de réplicas.
Mas os dados disponíveis até agora apontam para fenômenos tectônicos distintos, não para uma única cadeia global de terremotos.
A ciência continuará acompanhando cada evento.
E somente os dados — não a coincidência entre manchetes — poderão mostrar se existe alguma mudança relevante no comportamento sísmico do planeta.
**Atualizado em 18 de agosto de 2026. Os balanços de vítimas e danos podem ser modificados pelas autoridades conforme novas informações forem confirmadas.**
Terremotos em série pelo mundo: o que está acontecendo e por que tantos tremores chamaram atenção
Em pouco mais de uma semana, fortes terremotos atingiram Colômbia e Indonésia, enquanto novos tremores foram registrados na Espanha e no Afeganistão. Centenas de pessoas morreram, milhares ficaram feridas ou desalojadas e uma pergunta começou a surgir: há algo fora do normal acontecendo com o planeta?
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