Forte tremor atingiu o sul do país, provocou desabamentos, interrompeu atividades industriais e obrigou milhares de moradores a buscar abrigo em meio ao calor intenso
O número de mortos após o forte terremoto que atingiu o sul do Japão subiu para 34 nesta sexta-feira, 31 de julho. Pelo menos 96 pessoas ficaram feridas, enquanto equipes de resgate continuam procurando desaparecidos entre construções destruídas e estruturas danificadas.
O terremoto ocorreu na terça-feira, 28 de julho, atingindo principalmente a província de Kumamoto, na ilha de Kyushu. A Agência Meteorológica do Japão informou magnitude 7,1, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos calculou magnitude 6,8.
Segundo o órgão norte-americano, o epicentro ficou aproximadamente cinco quilômetros a leste da cidade de Uto, a uma profundidade de dez quilômetros. Terremotos mais rasos costumam produzir tremores mais fortes na superfície, aumentando o potencial de danos nas áreas próximas.
Desabamentos e explosão aumentaram número de vítimas
Entre os locais mais atingidos está um centro comercial da rede Aeon, onde parte da estrutura desabou após uma explosão possivelmente provocada por vazamento de gás.
Equipes especializadas passaram vários dias procurando trabalhadores e outras pessoas que poderiam estar presas sob os escombros. O terremoto também derrubou uma grande chaminé em uma fábrica da Nippon Paper Industries, provocando mortes e deixando funcionários soterrados.
Casas, estradas e pontes sofreram danos em diferentes pontos da região. Prédios históricos também foram afetados, incluindo construções que já haviam sido restauradas após os terremotos registrados em Kumamoto em 2016.
O balanço mais recente aponta que as mortes se concentraram principalmente no centro comercial, na fábrica de papel e em imóveis atingidos por desabamentos.
Milhares de moradores estão em abrigos ou dentro de carros
O terremoto obrigou milhares de pessoas a deixar suas residências. Muitos moradores passaram a dormir em abrigos públicos, enquanto outros escolheram permanecer dentro de automóveis por medo de novos tremores e desabamentos.
A situação é agravada pelas temperaturas elevadas do verão japonês. Em algumas áreas, os termômetros chegaram a aproximadamente 36 °C, aumentando o risco de desidratação e problemas relacionados ao calor.
Abrigos lotados, falta de ventilação adequada e dificuldades no fornecimento de água passaram a representar uma preocupação adicional para as autoridades.
O governo japonês orientou as equipes de emergência a priorizar a entrega de água, equipamentos de refrigeração e atendimento médico às pessoas mais vulneráveis.
Cerca de 80 mil residências ficaram sem água
Embora o fornecimento de energia elétrica tenha sido amplamente restabelecido até esta sexta-feira, aproximadamente 80 mil residências ainda enfrentavam problemas no abastecimento de água.
Também foram registradas dificuldades no fornecimento de combustíveis, prejudicando o deslocamento de moradores e das próprias equipes de emergência.
As autoridades mobilizaram integrantes das Forças de Autodefesa do Japão para ajudar nas buscas, distribuir suprimentos e apoiar a recuperação das cidades atingidas.
O primeiro-ministro japonês pediu que os órgãos responsáveis utilizassem todos os recursos disponíveis para garantir água potável e segurança à população afetada.
Alerta de tsunami foi emitido e posteriormente retirado
Logo após o terremoto, a Agência Meteorológica do Japão emitiu um alerta para a possibilidade de tsunami em áreas costeiras.
Moradores de algumas regiões receberam orientações para deixar áreas próximas ao mar e procurar locais elevados. O alerta foi posteriormente retirado, sem registro de ondas destrutivas.
As autoridades também informaram que não foram encontradas anormalidades nas instalações nucleares localizadas próximas à região atingida.
Serviços ferroviários, incluindo linhas de trens de alta velocidade, foram interrompidos temporariamente. Voos também sofreram alterações enquanto técnicos avaliavam as condições de aeroportos e pistas.
Réplicas mantêm população em alerta
Desde o tremor principal, a região vem registrando diversas réplicas. Algumas foram fortes o suficiente para serem sentidas pela população e dificultaram o trabalho das equipes de resgate.
Especialistas alertaram que novos tremores poderiam provocar a queda de paredes, telhados e outras estruturas que ficaram enfraquecidas pelo primeiro terremoto.
Os moradores foram orientados a evitar construções danificadas, áreas próximas a encostas e locais onde possam ocorrer deslizamentos.
Mesmo quando uma edificação continua aparentemente de pé, rachaduras internas e danos na fundação podem torná-la perigosa.
Fábricas de automóveis e semicondutores suspendem atividades
Além das perdas humanas e dos danos às residências, o terremoto também afetou uma das regiões industriais mais importantes do Japão.
Empresas dos setores automotivo, eletrônico e de semicondutores interromperam temporariamente suas atividades para inspecionar fábricas, equipamentos e redes de fornecimento.
Toyota, Nissan, Mitsubishi e fornecedores de componentes reduziram ou suspenderam parte da produção. Empresas como TSMC, Renesas e Sony também realizaram avaliações antes de iniciar uma retomada gradual das operações.
Kyushu concentra diversas fábricas de semicondutores e é conhecida como um importante polo tecnológico. Por isso, interrupções prolongadas poderiam afetar cadeias de produção dentro e fora do Japão.
As empresas afirmaram que os investimentos realizados em segurança após terremotos anteriores ajudaram a reduzir os danos aos equipamentos industriais.
Região já havia sido atingida por terremotos em 2016
Kumamoto ainda carrega as marcas dos fortes terremotos ocorridos em abril de 2016. Naquela ocasião, dois grandes tremores e uma longa sequência de réplicas destruíram casas, danificaram estradas e provocaram centenas de mortes diretas e indiretas.
Desde então, construções foram reforçadas e empresas adotaram novos protocolos de segurança. Mesmo assim, o terremoto de julho de 2026 mostrou que a região continua exposta a eventos sísmicos de grande intensidade.
O Japão está localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma extensa zona de encontro entre placas tectônicas onde ocorre grande parte dos terremotos e da atividade vulcânica do planeta.
Busca por desaparecidos continua
As operações de emergência permanecem concentradas na localização de possíveis sobreviventes, na avaliação de imóveis e no restabelecimento dos serviços essenciais.
Equipes trabalham cuidadosamente em áreas instáveis, onde existe risco de novos desabamentos. O calor extremo e as réplicas tornam o trabalho ainda mais difícil.
As autoridades afirmam que o número de vítimas ainda pode mudar à medida que as buscas avançam e novas áreas são inspecionadas.
Enquanto o Japão inicia o longo processo de recuperação, milhares de famílias seguem afastadas de suas casas, dependendo de abrigos, água distribuída pelo governo e ajuda das equipes de emergência.
A tragédia volta a demonstrar a capacidade de preparação do país para terremotos, mas também evidencia como tremores de grande intensidade podem superar sistemas de segurança, interromper serviços essenciais e transformar rapidamente a rotina de cidades inteiras
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