Dados oficiais da Câmara apontam que 301 dos atuais deputados foram reeleitos — equivalente a 58,6% do total formado por titulares eleitos em 2022 ou por suplentes que se tornaram efetivos durante a legislatura. Do restante, 186 deputados eleitos são de primeiro mandato e 29 são ex-parlamentares que retornam à Casa.
Índice de reeleição e renovação parcial da Casa
O levantamento publicado pela Câmara mostra que a renovação não alcançou a maioria dos assentos: a maior parte das cadeiras continuará ocupada por parlamentares que já exerciam mandato, o que tende a preservar experiência acumulada e rotinas legislativas em muitas bancadas. A lista completa dos 301 reeleitos foi divulgada pela Câmara em ordem alfabética.
O indicador de 58,6% considera tanto os deputados que tomaram posse em 2022 quanto os suplentes que foram efetivados ao longo da atual legislatura, conforme explicita o comunicado da própria Casa. Esse recorte mantém a comparação com a composição que ocupou as cadeiras ao longo do mandato anterior.
Distribuição por partidos e número de novatos e retornos
Segundo a Câmara, o Partido Liberal (PL) teve o maior número absoluto de reeleitos: 63 deputados, o que corresponde a 52% da bancada do partido. A federação formada por União Brasil e Progressistas registrou 58 reeleitos e a federação PT, PCdoB e PV contabilizou 51.
Outros partidos com número confirmado de reeleitos são PSD (28), Republicanos (26) e MDB (23). Entre os 186 deputados de primeiro mandato, o PL também lidera com 46 eleitos, seguido pela federação PT, PCdoB e PV com 29 e pela federação União Brasil e Progressistas com 27 novos parlamentares.
Dos 29 ex-deputados que voltam à Câmara, 12 são do PL, 8 da federação PT, PCdoB e PV e 3 do MDB. Os números constam na checagem divulgada pela Câmara sobre reeleitos, novatos e retornos.
Avanços e limites na representação por gênero e raça
Levantamentos da Agência Brasil apontam crescimento da bancada feminina na Câmara: subiu de 90 para 109 deputadas eleitas, aumento de 21%. Apesar do avanço numérico, as mulheres continuarão em minoria, representando cerca de 21% das 513 cadeiras. A Agência Brasil também registra queda no número de candidatas entre 2022 e 2026, de 3.317 para 2.820.
No caso de pretos e pardos, a Agência Brasil indica leve recuo: a representação passou de 139 para 135 deputados. Dos 135 eleitos que se declaram pretos ou pardos, 77 foram reeleitos, segundo o levantamento citado pela reportagem.
A cientista política Evelyn Apolinária (Ceub) qualifica a redução de quatro cadeiras como parte de um quadro mais amplo de sub-representação. Ela destaca desigualdades de recursos de campanha, financiamento e estruturas partidárias como fatores que limitam a correlação entre participação proporcional nas candidaturas e ocupação efetiva das cadeiras. Evelyn também observa que a simples presença de parlamentares negros não garante unidade programática sobre pautas antirracistas e que um Congresso deslocado à direita pode reduzir prioridade a projetos de combate ao racismo ou a políticas afirmativas, dependendo, entre outros fatores, do resultado do segundo turno presidencial e da atuação da bancada negra no colégio de líderes.
Paralelamente, a Agência Brasil registra aumento na eleição de mulheres negras: ao menos 15 deputadas negras foram eleitas para a Câmara em 2026, ante 9 em 2022, segundo levantamento da organização Mulheres Negras Decidem. A coordenadora política Tainah Pereira aponta também a juventude da maior parte dessas eleitas como elemento de renovação.
Especialistas consultadas pela Agência Brasil advertem, porém, que maior número de mulheres no Congresso não garante automaticamente políticas voltadas aos direitos das mulheres. A professora Flávia Biroli (UnB) lembra que a diversidade de posições entre parlamentares do mesmo gênero pode levar à eleição de mulheres que defendam agendas contrárias a pautas de igualdade, citando exemplos de vozes que votaram contra medidas como igualdade salarial.
Os dados oficiais da Câmara e as análises da Agência Brasil convergem para a noção de uma renovação parcial: há ganhos expressivos em alguns indicadores de representação, sobretudo na bancada feminina, junto a uma continuidade majoritária de mandatos e a limitações persistentes na representação racial. A forma como essas mudanças se traduzirão em prioridades legislativas dependerá da composição das bancadas e das relações entre Executivo e Legislativo nos próximos meses.
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