O ministro da Defesa do Japão visitou o santuário Yasukuni em Tóquio, local que homenageia cerca de 2,5 milhões de mortos, entre eles 14 líderes condenados por crimes de guerra, e a ação provocou críticas oficiais da China e da Coreia do Sul.
O que é o santuário Yasukuni
O Yasukuni Jinja foi criado em 1869, durante o reinado do imperador Meiji, para enaltecer as almas de combatentes mortos em guerras do país. No site do santuário, o nome "Yasukuni" é explicado como a ideia de preservar a paz, e cita-se a primeira visita do imperador Meiji ao local em 1874.
São mantidos no santuário cerca de 2,5 milhões de nomes de mortos, incluindo combatentes de conflitos que envolveram a China, outras nações asiáticas e a União Soviética.
Por que o local é controverso
A controvérsia se intensificou em 1978, quando 14 líderes civis e militares condenados por um tribunal internacional pós-guerra — conhecidos como "Class A War Criminals" — foram enisnhados no Yasukuni. Para críticos em países asiáticos vizinhos, visitas de políticos ao santuário indicam falta de arrependimento pelas atrocidades cometidas pelo Japão durante seu período de expansionismo militar.
Relatos históricos citados no material de referência lembram invasões como a da Manchúria em 1931 e a Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937–1945). Estimativas mencionadas apontam que historiadores calculam entre 15 e 20 milhões de chineses mortos nesse conflito, enquanto autoridades japonesas indicaram cerca de 48 mil soldados japoneses mortos.
Reações diplomáticas e políticas
O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que "condena fortemente" a oferta enviada por autoridades japonesas e a visita do ministro ao santuário, e disse ter apresentado fortes protestos ao lado japonês. A Coreia do Sul expressou "profundo pesar" e qualificou as ações como anacrônicas, pedindo que os líderes japoneses enfrentem a história e demonstrem reflexão humilde e arrependimento sincero.
Também no fim de semana, a primeira-ministra e líder do partido, Sanae Takaichi, não entrou no santuário. Segundo a imprensa local, ela saiu do carro a cerca de 200 metros do Yasukuni, fez duas reverências, bateu palmas duas vezes e reverenciou novamente na direção do santuário, além de enviar uma oferta. Reportagens da agência AP apontaram que ela não mencionou as atrocidades da guerra nem expressou arrependimento.
O Japão tem histórico de líderes que visitaram o local: Yasuhiro Nakasone foi o primeiro primeiro-ministro a ir em 1985; Junichiro Koizumi frequentou o local nos anos 2000; e Shinzo Abe foi o último primeiro-ministro em exercício a visitar, em dezembro de 2013, o que causou desapontamento na administração do então presidente dos EUA, Barack Obama.
Após a visita, o ministro da Defesa afirmou que, junto ao voto de renunciar à guerra, reafirmou a determinação de cumprir a responsabilidade de manter o Japão como uma nação pacífica.
O que isso significa
Visitas e ofertas ao Yasukuni continuam a gerar tensão diplomática na região e reacendem reclamações históricas de países que sofreram ocupação e crimes durante a expansão militar japonesa. As consequências citadas nas informações disponíveis até agora são protestos oficiais de Pequim e Seul; nenhum passo adicional futuro foi detalhado nas fontes consultadas.
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