Agora
Mundo

Irã avisa que considerará inimigos países vizinhos que apoiarem campanha econômica dos EUA e ameaça rotas de petróleo

Mohsen Rezaei disse que Teerã tratará como inimigos países que se juntarem à “guerra econômica” dos EUA e avisou que pode mirar tanto o Estreito de Ormuz quanto rotas alternativas de exportação de petróleo; até agora são advertências, sem confirmação de ataque…

Irã avisa que considerará inimigos países vizinhos que apoiarem campanha econômica dos EUA e ameaça rotas de petróleo
Imagem de capa: Official Navy Page from United States of America Alex R. Forster/U.S. Navy — Public domain, via Wikimedia Commons.
Compartilhar:

O anúncio iraniano aumenta o risco de escalada regional: autoridades de Teerã afirmam que punirão países vizinhos que apoiarem a campanha dos Estados Unidos para “estrangular” a economia iraniana, incluindo a possibilidade de atingir rotas de exportação de petróleo. Se as ameaças se concretizarem, isso poderia pressionar preços de energia e insumos agrícolas, como já ocorreu no início do conflito.

A advertência de Teerã e a estratégia em três etapas

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, fez a declaração em entrevista à emissora estatal IRIB. Rezaei disse: “We’re telling all nearby countries not to join the US economic war. Otherwise, we will consider them as enemies.”

Ele descreveu uma estratégia regional em três fases: primeiro, tentar negociar e de-escalar; em seguida, empregar linguagem conciliadora para afastar esses países dos EUA; e, por fim, agir caso eles continuem alinhados com Washington. Nas palavras dele, “in the third stage, we will definitely act.”

Rezaei também afirmou que a administração americana aposta que a pressão econômica interna poderia fracturar a unidade iraniana e gerar protestos que beneficiariam ações militares externas, uma avaliação que motiva a retórica de dissuasão do governo iraniano.

Risco às rotas do Estreito de Ormuz e vias alternativas

O controle do Estreito de Ormuz é um ponto central do confronto entre Irã e EUA. A reportagem registra que, no início da guerra, o Irã chegou a interromper o tráfego pelo estreito, o que fez disparar preços de bens como petróleo e fertilizantes.

Na esteira dessa experiência, países da região passaram a buscar rotas alternativas de exportação para reduzir dependência do corredor. Rezaei advertiu que Teerã miraria esses corredores alternativos caso governos regionais participem da “guerra econômica” promovida pelos EUA.

O efeito prático dessas ameaças recairia sobre Estados que dependem das exportações via Golfo e, pelo menos em cenário de confrontos anteriores, tende a pressionar os preços globais de energia e insumos agrícolas.

Retórica americana, estado das negociações e reação iraniana

A declaração iraniana ocorreu depois do anúncio da administração do presidente Donald Trump de empreender a “most crushing economic operation” contra o Irã, e da promessa de “tremendous economic consequences” para qualquer país que dê “any type of lifeline”.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reforçou a posição com a frase: “You’re either with us or against us.” As hostilidades entre EUA, Israel e Irã escalaram desde 28 de fevereiro, quando houve o primeiro ataque conjunto contra Teerã.

Negociações destinadas a encerrar o conflito estagnaram após a falha de um memorando de entendimento em 17 de junho que previa término imediato e permanente das operações militares. Em resposta às novas medidas, o Ministério das Relações Exteriores do Irã criticou os atos americanos como uma afirmação de “extraterritorial sovereignty” sobre outros Estados-membros da ONU.

Veículos de mídia também relataram que Teerã tem considerado ampliar a lista de alvos além do Oriente Médio, apontando a possibilidade de mirar aliados europeus que apoiem as operações americanas — relato que, na reportagem, aparece como possibilidade levantada por fontes externas.

Pontos a vigiar nas próximas semanas

As próximas semanas devem mostrar se países vizinhos aceitarão a pressão americana ou buscarão manter distância para evitar retaliações iranianas. Movimentos diplomáticos entre Teerã e governos regionais serão determinantes para medir essa inclinação.

Deverão ser monitorados sinais concretos de ameaças ou ataques a rotas alternativas de exportação de petróleo, bem como anúncios explícitos de novas medidas econômicas ou ações militares por parte de qualquer um dos polos.

Até o momento, a reportagem não confirma ataques efetivos a países que tenham apoiado as medidas econômicas; o que há são advertências e declarações de intenção por autoridades iranianas e a retórica de dissuasão de Washington.

Fonte consultada: Al Jazeera - Latest News

Avaliações e comentários

Entre na sua conta para comentar.

Ainda não há avaliações aprovadas.