Uma enchente súbita provocada por uma forte chuva monçônica no Grand Canyon deixou duas pessoas mortas, uma ainda não localizada e causou danos significativos à infraestrutura do parque, informaram autoridades. A inundação danificou ou destruiu cerca de 40% da Transcanyon Waterline, a principal adutora que leva água do North Rim ao South Rim; o parque aplicou restrições de uso de água e proibiu fogueiras em áreas onde a escassez pode prejudicar o combate a incêndios.
Buscas e resgates — números, status do desaparecido e condições das operações
Rangers do National Park Service disseram que equipes de busca e resgate chegaram a contatar dezenas de pessoas inicialmente dadas como desaparecidas. O parque informou que 82 pessoas foram resgatadas ao longo de sábado e domingo, segundo Tomos divulgados por Dave Black, do National Park Service. Em paralelo, reportagens do The Guardian apontaram que quase 80 pessoas foram retiradas e mais de 60 precisaram ser evacuadas por helicóptero do Phantom Ranch e trilhas próximas.
Black afirmou que “há uma pessoa não localizada” até o momento e que as equipes seguem buscando. Ele acrescentou que a melhora no tempo prevista para terça-feira deve ajudar as operações de busca. O próprio serviço de parques descreveu que os esforços foram atrapalhados por nova chuva na segunda-feira, parte do padrão monçônico que provoca enchentes-relâmpago na região.
As equipes têm cruzado dados de autorizações de acampamento, placas de veículos e contatos de familiares para confirmar quem estava nas áreas afetadas quando a enchente atingiu o Bright Angel Canyon. O parque disse que continua “ativamente” as buscas e manteve declarações de esperança de que o desaparecido ainda possa ser encontrado com vida.
Danos na adutora Transcanyon e restrições administrativas no parque
O National Park Service informou que a enchente danificou ou destruiu cerca de 40% da Transcanyon Waterline, a tubulação de aproximadamente 20 quilômetros que transporta água de Roaring Springs, no North Rim, até o South Rim. A mesma adutora fornece água potável e apoio à supressão de incêndios dentro do parque.
Como consequência direta dos danos, o parque implementou restrições no uso de água em sua área mais visitada e baniu fogueiras com madeira e carvão em locais onde a redução no abastecimento poderia comprometer a capacidade de combater incêndios. A enchente também destruiu pontes de madeira e bloqueou travessias sobre o Bright Angel Creek, limitando o acesso a partes do cânion.
Apesar dos danos à infraestrutura e da tragédia humana, o Grand Canyon permaneceu aberto aos visitantes. Funcionários, porém, alertaram para o risco de rajadas localizadas e condições meteorológicas repentinas, que tornam trilhas e travessias mais perigosas enquanto a recuperação de infraestrutura segue em avaliação.
Por que a região é vulnerável a enchentes-relâmpago e como incêndios anteriores influenciam o risco
O parque explica que as fortes chuvas fazem parte do padrão sazonal de monções que atinge o norte do Arizona entre julho e meados de setembro; em terreno árido com baixa capacidade de absorção, mesmo pancadas rápidas podem gerar enchentes-relâmpago em leitos secos e ravinas como o Bright Angel Creek.
Relatórios anteriores do National Park Service, citados em cobertura do Guardian, já alertavam para um risco elevado de inundações e fluxos de detritos na bacia do Bright Angel Creek após o incêndio Dragon Bravo no North Rim no ano anterior. Essa perda de vegetação e alteração do solo aumenta a probabilidade de respostas rápidas e violentas do terreno a tempestades localizadas.
As autoridades seguem avaliando danos, cruzando informações de permissões e contatos de familiares para confirmar quem estava nas áreas afetadas. O parque mantém as buscas ativas e recomenda cautela a quem planeja trilhas para o interior do cânion, dado o histórico de enchentes-relâmpago e as condições pós-incêndio que amplificam o risco.
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