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Eleições no Sudão do Sul podem desencadear novos crimes de atrocidade, alerta comissão da ONU

Comissão da ONU alerta que, com retomada de combates e 407 violações de cessar-fogo registradas, as eleições no Sudão do Sul podem aumentar o risco de genocídio, crimes contra a humanidade e limpeza étnica.

Eleições no Sudão do Sul podem desencadear novos crimes de atrocidade, alerta comissão da ONU
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A Comissão da ONU sobre Direitos Humanos no Sudão do Sul advertiu que as próximas eleições do país podem aprofundar uma crise humanitária já pouco noticiada e aumentar a probabilidade de novos crimes de atrocidade, a menos que os combates em curso sejam interrompidos.

O que isso significa

Segundo a Comissão, "múltiplos fatores de risco para crimes de atrocidade estão convergindo" no país. Em termos práticos, os especialistas dizem que realizar eleições sem garantias essenciais pode transformar o pleito em um novo foco de violência, em vez de servir como uma saída pacífica para disputas políticas.

Contexto

A retomada de confrontos foi registrada em várias regiões: estados de Upper Nile, Jonglei e Unity, além de combates e mortes de civis em Western e Central Equatoria. A Comissão lembra que, quinze anos após a independência, o Sudão do Sul enfrenta uma deterioração política, de segurança, humanitária e de direitos humanos.

Números confirmados e falhas no processo de paz

Foram contabilizadas 407 violações de cessar-fogo entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. A Comissão também aponta que quase metade das disposições-chaves do Acordo Revitalizado para a Resolução do Conflito no Sudão do Sul (R-ARCSS), de 2018, não foram implementadas, incluindo a unificação das forças de segurança.

Principais riscos e fragilidades institucionais

Os relatores identificaram problemas centrais que aumentam o risco de atrocidades: renovado conflito armado, instituições enfraquecidas, impunidade entrincheirada, governança excludente, corrupção, restrição do espaço cívico e retórica inflamatória. Mecanismos de mitigação — como monitoramento do cessar-fogo, instituições judiciais independentes e diálogo político inclusivo — foram reportados como enfraquecidos ou suspensos.

Repercussão e posicionamento dos relatores

A Comissão, um órgão independente criado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e renovado anualmente desde 2016, é composta pelos comissários Yasmin Sooka, Barney Afako e Carlos Castresana Fernández, que são descritos como especialistas seniores em direito e não recebem salário pelo trabalho. A presidente Yasmin Sooka ressaltou o direito dos sul-sudaneses de escolher seu governo por meio de eleições livres e pacíficas. Barney Afako advertiu que "as eleições não devem se tornar outro campo de batalha violento" e que "as armas estão voltando enquanto as salvaguardas desaparecem". Carlos Castresana Fernández enfatizou que uma eleição só é credível quando os cidadãos podem votar sem medo e instituições funcionam de forma independente.

Próximos passos e o que observar

A Comissão indica que a janela para prevenir um retorno à escala de atrocidades observada entre 2013 e 2018 está se fechando, mas ainda não se encerrou. Entre as ações a acompanhar estão a implementação das disposições do R-ARCSS, o fortalecimento de mecanismos de monitoramento do cessar-fogo e a reabertura de espaços para participação política inclusiva. A falta de confirmação de danos adicionais, deslocamentos ou números de vítimas recentes foi mencionada: os riscos apontados baseiam-se em sinais de alerta e na deterioração de salvaguardas institucionais.

Em resumo, a Comissão da ONU conclama que as condições mínimas para eleições pacíficas e credíveis sejam restabelecidas, sob risco de aprofundamento da violência e de novos crimes de atrocidade no Sudão do Sul.

Fonte consultada: ONU News - Top Stories

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