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Chefe do Exército do Paquistão vai a Teerã pela 3ª vez para mediar impasse EUA–Irã

Field Marshal Asim Munir viaja a Teerã pela terceira vez este ano numa tentativa de reativar a mediação do Memorando de Entendimento de Islamabad entre Washington e Teerã.

Chefe do Exército do Paquistão vai a Teerã pela 3ª vez para mediar impasse EUA–Irã
Imagem de capa: Galahad1822 — CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
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O chefe do Exército do Paquistão e também chefe do Estado‑Maior de Defesa, Field Marshal Asim Munir, viajou a Teerã para conversar com autoridades iranianas — a terceira visita dele ao país neste ano — em mais um esforço de Islamabad para mediar o impasse entre os Estados Unidos e o Irã, informou o Ministério das Relações Exteriores do Irã e noticiou a Al Jazeera.

Por que a viagem importa: a mediação do MoU de Islamabad e o contexto imediato

A visita de Munir ocorre quando a via diplomática prevista no Memorando de Entendimento (MoU) de Islamabad — assinado em 17 de junho por Paquistão, Irã e EUA — está praticamente estagnada. O período de 60 dias estabelecido no acordo expirou em meados de agosto sem que as partes optassem por sua extensão, segundo a Al Jazeera.

O contexto inclui medidas americanas previstas para aumentar a pressão sobre Teerã: a reportagem cita que o Tesouro dos EUA, representado pelo secretário Scott Bessent, prepara um pacote descrito por autoridades americanas como as “punitivas mais duras da história” contra o Irã; o governo iraniano qualificou a ação como “guerra económica”.

Ao mesmo tempo, o Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado e impõe condições para qualquer desescalada — entre elas, levantamento do bloqueio naval, fim de sanções sobre o petróleo, descongelamento de ativos iranianos e cessação de ameaças militares — condições que, segundo Teerã, não foram atendidas.

Agenda em Teerã e interlocutores previstos

O anúncio da viagem foi feito por Teerã; autoridades paquistanesas confirmaram o deslocamento à Al Jazeera, mas não detalharam a agenda, e nem o ISPR nem os ministérios paquistaneses responderam a pedidos de comentário, conforme a reportagem.

Munir deve se reunir com a nova cúpula militar iraniana: o chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, Major‑General Ahmad Vahidi; o chefe do Estado‑Maior das Forças Armadas, Major‑General Ali Abdollahi; e o recém‑nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei — todos nomeados no início deste mês, segundo a Al Jazeera.

A visita sucede duas chamadas telefônicas entre Munir e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, feitas dentro de quatro dias, nas quais discutiram “desenvolvimentos regionais” e maneiras de fortalecer “paz, estabilidade e segurança” na Ásia Ocidental, conforme divulgado pela mídia estatal iraniana.

Interesses em jogo: segurança marítima, Houthis e o pacto de defesa de Meca

Espera‑se que a agenda inclua assuntos concretos de segurança regional, em particular os ataques dos houthis às rotas marítimas — grupo amplamente considerado como apoiado por Teerã — e as implicações desses ataques para o Paquistão. A Al Jazeera lembra que, em 11 de agosto, um ataque a um navio com bandeira da Tanzânia matou três marinheiros paquistaneses, um episódio que acentuou a urgência do tema para Islamabad.

O encontro também deve tocar no Acordo de Defesa Conjunta de Meca, anunciado em agosto entre Paquistão, Arábia Saudita e Turquia, do qual Munir participou em Meca, segundo a reportagem; o pacto e outras realinhamentos regionais foram citados como pano de fundo das conversas.

A reportagem registra ainda tensões regionais recentes, como a suspensão de transações pelos Emirados Árabes Unidos com o Irã, reivindicada após alegados ataques com mísseis, o que demonstra um ambiente diplomático e econômico mais tenso no qual a mediação paquistanesa se insere.

O que Munir pode (e não pode) alcançar: avaliações de analistas

Analistas consultados pela Al Jazeera divergem sobre o alcance prático da visita. Para Qamar Cheema, do Sanober Institute, o Paquistão é visto como um facilitador sem interesse direto no resultado, o que lhe confere credibilidade como canal para oferecer um “off‑ramp” a ambos os lados.

Javad Heiran‑Nia, do Persian Gulf Studies Group, diz que a persistência paquistanesa tem motivação de interesse próprio: Islamabad teme escalada que desestabilize a região e afete importações de energia e remessas de trabalhadores, segundo a reportagem.

Outros analistas apontam limites claros. Andreas Krieg, do King’s College London, avalia que o Qatar permanece o principal interlocutor político entre Washington e Teerã, enquanto o papel de Munir pode ser mais estreito: um canal militar‑a‑militar que alcança o aparelho de segurança iraniano, hoje fortemente influenciado pelo IRGC.

Há, enfim, interpretações divergentes sobre o potencial de resultados concretos: alguns sugerem que Munir poderia facilitar acordos práticos de desescalada no Estreito de Ormuz ou confirmar compromissos de “deconfliction” desde que haja reciprocidade americana; outros ponderam que, sem garantias dos EUA e sem mudanças nas exigências de Teerã, é improvável um acordo abrangente imediato.

O que o leitor precisa saber: Asim Munir está em Teerã pela terceira vez neste ano tentando reativar a mediação entre Irã e EUA em torno do MoU de Islamabad. A iniciativa ocorre após o prazo de 60 dias do acordo expirar, em um contexto de sanções americanas em preparação, fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, ataques marítimos vinculados aos houthis e realinhamentos regionais. Analistas divergem: a visita pode manter canais abertos e viabilizar medidas limitadas de contenção, mas enfrenta limites práticos sem concessões claras de Washington e mudanças nas condições exigidas por Teerã.

Fonte consultada: Al Jazeera - Latest News

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