A BBC foi alertada por dois denunciantes de que o autor britânico Christopher Berry-Dee estaria dizendo ter em sua posse as roupas de Karen Hadaway, uma das crianças assassinadas no caso conhecido como Babes in the Woods — peças que a emissora já reconheceu ter perdido enquanto estavam sob sua responsabilidade.
O que foi comunicado à BBC e por quem
Fontes ouvidas pelo Guardian informaram que tanto a unidade de denúncias da BBC quanto o gabinete do então diretor-geral receberam relatos de que Berry-Dee vinha dizendo, durante as décadas de 1990 e 2000, que havia obtido as roupas de Karen.
Uma jornalista freelance, Eileen Fairweather, informou ter alertado a unidade de denúncias da BBC em 2022, após reapurar o caso. Um parente da outra vítima, Ian Heffron, também enviou em 2022 um e-mail ao gabinete do diretor-geral Tim Davie pedindo investigações urgentes sobre possíveis ligações entre o autor e a corporação.
Contexto: as roupas e o desaparecimento
As roupas de Karen foram entregues à revista que investigava o caso e, em agosto de 1991, foram obtidas pelo jornalista Martin Bashir para um possível documentário da BBC. Em 2004, quando um policial pediu a devolução dos itens, a BBC percebeu que não conseguia localizá-los, pediu desculpas e mais tarde pagou um acordo financeiro à mãe de Karen, Michelle Hadaway.
Fairweather disse que presenciou a entrega das roupas por Michelle Hadaway a Bashir e descreveu como as peças foram colocadas em um saco plástico e em um invólucro de evidência, com manchas de sangue visíveis.
Alegações sobre Berry-Dee e posição das partes
Segundo a investigação, Berry-Dee teria se aproximado da família Hadaway no fim dos anos 1980, propondo organizar testes de DNA e dizendo ter recebido as roupas “com lágrimas nos olhos”, conforme ele relatou em seu livro. Fontes relataram que o autor teria vangloriado-se de ter as peças nas décadas seguintes.
O próprio Berry-Dee disse ao Guardian que era “100% correto” que havia obtido as roupas e afirmou tê-las queimado, mas não detalhou a cronologia nem explicou se as teria obtido novamente depois da entrega à BBC.
O advogado de Martin Bashir declarou que Bashir deixou as roupas nos escritórios do programa Public Eye da BBC e não recorda relação de Bashir com Berry-Dee sobre o assunto.
Resposta da BBC e desfecho até agora
A BBC informou que, em 2023, pediu desculpas por ter falhado em seu dever de cuidado para com Michelle Hadaway e chegou a um acordo com ela sobre a perda das roupas. A corporação afirmou acreditar que o assunto foi investigado tão a fundo quanto possível.
Fairweather e Heffron dizem ter alertado a BBC e recebido apenas confirmação de recebimento das mensagens; três anos após o primeiro contato de Fairweather, o caso foi encerrado pela corporação sem novas medidas, segundo o Guardian.
O que muda e próximos passos
O paradeiro das roupas de Karen Hadaway permanece incerto e as alegações de que Berry-Dee teve as peças não foram esclarecidas publicamente pela BBC. A investigação do Guardian também reuniu relatos de mulheres que acusam o autor de crimes sexuais e violentos, acusações que ele nega; os registros apontam que ele já foi preso duas vezes e chegou a ser indiciado uma vez por alegações de abuso sexual infantil, sem condenação.
Até o momento, não há informação disponível nas evidências de que novas apurações ou reabertura formal do caso tenham sido iniciadas pela BBC após o arquivamento mencionado.
O que o leitor precisa saber: a BBC reconheceu a perda das roupas e pagou um acordo à família; denúncias internas e contatos de parentes apontaram para um possível vínculo do autor com as peças desaparecidas, mas a corporação encerrou a apuração sem ação adicional, deixando questões sem resposta.
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