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2ª descoberta de petróleo no poço Morpho amplia avaliação sobre a Margem Equatorial

A Petrobras anunciou uma segunda ocorrência de petróleo no poço Morpho, a 175 km do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 m.

2ª descoberta de petróleo no poço Morpho amplia avaliação sobre a Margem Equatorial
Imagem de capa: Thomas Bresson — CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.
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A Petrobras comunicou na manhã desta sexta‑feira (2) a segunda descoberta de petróleo no poço Morpho (1‑BRSA‑1405‑APS), localizado na bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá. A perfuração ocorre em lâmina d'água de 2.886 metros.

Descoberta no poço Morpho e evidências coletadas

A companhia informou que a nova ocorrência foi identificada por perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos obtidas durante as operações de perfuração. Após a primeira descoberta, em meados de agosto, a continuidade da perfuração teve como objetivo avaliar intervalos exploratórios mais profundos; o trabalho no Morpho segue para caracterizar as formações detectadas.

Petrobras já havia confirmado que o óleo da descoberta anterior é de “boa qualidade”. A estatal afirma que o material relativo à segunda ocorrência será submetido a análises laboratoriais — resultado considerado fundamental para determinar o potencial comercial do achado.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, observou que, apesar do nome do bloco (Foz do Amazonas), o ponto de perfuração fica a 540 quilômetros da desembocadura do rio Amazonas. A companhia reitera que as operações são conduzidas com critérios de segurança e respeito ao meio ambiente e às pessoas.

Como o achado se relaciona à recomposição de reservas da Petrobras

A Petrobras afirmou que a exploração no bloco Foz da Amazônia (FZA‑M‑59) está alinhada à sua estratégia de longo prazo de recomposição de reservas em novas fronteiras, visando contribuir para o atendimento da demanda energética do país. A estatal trata a Margem Equatorial como uma nova fronteira exploratória.

O estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) citado pela companhia estima potencial total recuperável na Bacia da Foz do Amazonas de até 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Para efeito de comparação, a ANP registrou cerca de 70 bilhões de barris — entre reservas provadas, prováveis e possíveis de petróleo — ao final de 2025, dado usado pela indústria para dimensionar o papel de novas fronteiras na reposição de estoques.

Especialistas e representantes do setor destacam que, se não houver novas descobertas, reservas do pré‑sal da região Sudeste podem entrar em declínio na próxima década; por isso, avanços na Margem Equatorial são vistos como relevantes para o horizonte de produção do país.

Ampliação da Margem Equatorial pela ANP e condições para oferta de blocos

Na mesma data, a ANP aprovou a inclusão de 11 setores exploratórios na Margem Equatorial, totalizando 380 mil quilômetros quadrados e configurando 501 blocos distribuídos nas bacias de Barreirinhas, Ceará, Foz do Amazonas, Potiguar e Pará‑Maranhão. A classificação desses trechos como Nova Fronteira Exploratória baseou‑se no reconhecimento, pela Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU, da extensão da plataforma continental brasileira — pleito coordenado pela Marinha em 2025.

A agência reguladora esclareceu que os 501 blocos não serão automaticamente levados ao sistema de Oferta Permanente. Qualquer indicação de blocos para oferta dependerá de análises específicas e do rito regulatório aplicável, incluindo avaliações socioambientais e manifestações de órgãos competentes.

A ANP também informou que a configuração dos novos setores levou em conta unidades de conservação e não identificou sobreposições que inviabilizassem os recortes propostos. A definição prévia de setores e blocos visa dar previsibilidade para levantamentos prévios, como aquisição de dados sísmicos e geoquímicos.

Licença ambiental, reação do setor e próximos passos técnicos e regulatórios

O Ibama concedeu autorização para perfurações na Margem Equatorial em outubro de 2025, decisão que gerou críticas de ambientalistas preocupados com os impactos da atividade. A Petrobras reafirma que as operações são realizadas com segurança e respeito ao meio ambiente e às pessoas.

O setor privado reagiu positivamente: o IBP classificou a expansão como passo estratégico para reposição de reservas e manutenção da segurança energética. Por outro lado, o Ineep, ligado à FUP, defende que a nova área seja tratada como fronteira estratégica, com maior coordenação estatal sobre ritmo de exploração, destinação da renda e desenvolvimento tecnológico, e sugere atenção ao modelo de contratação adotado.

Os pontos críticos a acompanhar são os resultados das análises laboratoriais das amostras coletadas no Morpho, a continuidade das perfurações para caracterizar os intervalos mais profundos e eventuais decisões sobre disponibilização de blocos pela ANP — que dependerão de avaliações técnicas, socioambientais e de rito regulatório.

Confirmado: houve uma segunda ocorrência identificada no poço Morpho, em lâmina d'água de 2.886 m; evidências iniciais vieram de perfis elétricos, amostras de rocha e fluidos; a extração comercial ainda depende de análises e decisões técnicas e regulatórias. Pendente: análises laboratoriais do segundo material, caracterização final das formações perfuradas e eventuais encaminhamentos da ANP para oferta de blocos.

Fontes consultadas: Agência Brasil - Economia · Agência Brasil - Economia

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