A NASA encomendou à L3Harris Technologies a produção de um telescópio de teste todo em vidro, chamado Engineering Test Unit. Segundo a agência, esta entrega representa o estágio final antes da fabricação do hardware que irá ao espaço para a missão LISA (Laser Interferometer Space Antenna), liderada pela ESA e prevista para lançamento em meados da década de 2030.
Entrega do telescópio de teste e papel da L3Harris
A L3Harris será responsável pelo projeto, montagem e integração da Engineering Test Unit para a NASA. A agência descreve este componente como o "último pré-voo" e o primeiro telescópio óptico a ser entregue à ESA no âmbito da participação americana na missão.
Em 2024, a L3Harris já havia entregue à NASA um protótipo usado como unidade de desenvolvimento de engenharia; anteriormente, em junho, a equipe entregou um modelo estrutural confeccionado em metal. Ritva Keski-Kuha, chefe do programa de telescópios LISA no Goddard, afirmou que os aprendizados do protótipo foram incorporados ao novo telescópio: "Testamos o protótipo rigorosamente e estamos trazendo tudo o que aprendemos para este novo telescópio."
O anúncio posiciona a Engineering Test Unit como um passo concreto na transição entre prototipagem e produção de unidades que poderão equipar as espaçonaves da constelação LISA.
Como os telescópios medirã o ondas gravitacionais entre as três naves
A missão colocará três espaçonaves numa órbita que segue a Terra, formando um triângulo com lados de 1,6 milhão de milhas (2,5 milhões de quilômetros) cada. Cada uma das naves terá dois telescópios que usam feixes de laser infravermelho para transmitir e receber sinais entre naves adjacentes.
Por meio desses feixes, as espaçonaves medirão alterações minúsculas nas distâncias relativas — mudanças tão pequenas que, conforme a NASA, são "menores que a largura de um átomo de hélio". Essas variações são o sinal das ondas gravitacionais de baixa frequência que não podem ser detectadas por observatórios terrestres.
Para isolar as medições do ruído não gravitacional, cada espaçonave conterá uma massa de prova (um cubo de ouro e platina) que fica livre-flutuando; a nave voará em torno desse cubo e gerenciará o ambiente para que ele caia apenas sob a influência da gravidade.
Material dos telescópios e outras contribuições técnicas da NASA
Cada telescópio será inteiramente fabricado em um compósito cerâmico-vidro de cor âmbar chamado Zerodur, escolhido por sua resistência a mudanças de forma através de uma ampla faixa de temperaturas — razão apontada pela NASA para seu uso em aplicações de alta precisão.
Além dos telescópios, a participação da NASA na missão inclui o fornecimento do sistema laser, dispositivos para gerenciar o acúmulo de carga elétrica nas massas de prova, e suporte para análise de dados voltada à identificação e caracterização de fontes de ondas gravitacionais.
A agência também destaca contribuição de expertise técnica e científica adicional, posicionando-se como parceira que fornece tanto hardware crítico quanto apoio analítico para maximizar o retorno científico da constelação LISA.
Expectativas científicas e contexto de validação
Segundo Ira Thorpe, cientista de projeto da NASA para LISA no Goddard, a missão deverá revelar um "mar de ondas gravitacionais" e detectar fusões de buracos negros gigantes, além de mapear sistemas compactos como pares de anãs brancas, estrelas de nêutrons e buracos negros de massa estelar. Thorpe afirmou que essas medições podem oferecer novos insights sobre a gravidade.
As ondas gravitacionais foram previstas por Albert Einstein em 1916 e detectadas pela primeira vez por observatórios terrestres em 2015. Para alcançar a sensibilidade exigida por LISA, reduzir forças não gravitacionais sobre as massas de prova é essencial: a missão LISA Pathfinder, da ESA, demonstrou em 2016 que é possível atingir o nível de quietude necessário.
Com a Engineering Test Unit e outros elementos em desenvolvimento, a NASA e a ESA avançam na preparação da constelação que, segundo as agências, permitirá explorar frequências de ondas gravitacionais hoje inacessíveis desde a Terra.
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