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NASA adapta centro de treino de astronautas para a era das estações espaciais comerciais

O Johnson Space Center em Houston já integra empresas privadas ao treinamento e opera instalações como Mission Control, Building 9 e o Neutral Buoyancy Laboratory para apoiar estações comerciais que devem assumir parte das atividades da ISS, prevista para oper…

NASA adapta centro de treino de astronautas para a era das estações espaciais comerciais
Imagem de capa: Bill Ingalls — Public domain, via Wikimedia Commons.
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Uma visita ao Johnson Space Center (JSC) em Houston em 4 de agosto mostra um ambiente em que pessoal da NASA e de empresas contratadas trabalham lado a lado para manter operações da Estação Espacial Internacional (ISS) e preparar a transição para estações comerciais previstas pelo programa Commercial LEO Destinations (CLD).

Como o JSC já integra empresas no treinamento e nas operações

O tour associado ao lançamento da missão Crew-13 (com decolagem prevista para não antes de 12 de setembro) deixou claro que o JSC opera hoje um mosaico de atividades governamentais e comerciais. O controle da ISS permanece ativo e visível — o centro exibe ao vivo câmeras internas da Destiny e consoles que monitoram a carga de trabalho dos astronautas e o estado dos canais de comunicação, como observou a flight director Diane Dailey durante a visita.

Dailey ressaltou que a configuração de Mission Control reúne disciplinas necessárias a qualquer veículo espacial (propulsão, comunicações, computadores etc.), servindo como exemplo prático de divisão de responsabilidades para futuros operadores privados. Ao mesmo tempo, a tour mostrou que empresas traçam caminhos distintos: a SpaceX já opera seu próprio Mission Control na Califórnia, enquanto a Boeing optou por integrar o seu a operações da NASA.

O JSC também monitora riscos operacionais atuais da ISS: gestores reafirmaram que a estação segue programada para operar pelo menos até cerca de 2030, mas que uma extensão dependeria de decisão do Congresso. Eles informaram ainda que uma fuga no segmento russo, presente há alguns anos, foi tratada com medidas que, segundo a agência, mantêm a situação sob controle após acordo com a Roscosmos para isolar a área afetada.

Building 9 (Space Vehicle Mockup Facility) e o tipo de serviços oferecidos a empresas

O Building 9 abriga módulos que circulam com frequência para missões diferentes, e a gestão posiciona a instalação para atender tanto necessidades da NASA quanto de clientes comerciais. Durante a visita, foi citado o uso da instalação para treinar procedimentos de emergência adaptados à microgravidade — por exemplo, aprender a fazer ressuscitação cardiopulmonar com os tripulantes "strapped in" quando a gravidade não ajuda, e exercícios de evacuação e combate a incêndio que incluem a simulação de um "refúgio seguro" com comunicações e computadores funcionais.

Pela área externa do prédio era possível avistar mockups e hardware de empresas como Starlab Space, SpaceX e Blue Origin. O site da instalação também lista "empresas de voos espaciais comerciais" entre seus clientes potenciais, indicando que mais atores privados devem usar o espaço quando a ISS se aposentar.

Esses cenários de treinamento — desde emergências médicas até incêndios simulados — servem como exemplos práticos do tipo de serviço técnico que empresas poderão contratar ao desenhar operações em órbita baixa, usando a expertise e as instalações consolidadas do JSC.

Neutral Buoyancy Laboratory: capacidades, usos atuais e interesse comercial futuro

O Neutral Buoyancy Laboratory (NBL), o enorme tanque do Sonny Carter Training Facility, é o local onde se ensaiam caminhadas espaciais com mockups de módulos submersos e equipes de mergulhadores de apoio. O diretor do NBL, Tim Hall, descreveu como o treinamento progride de sessões guiadas a execuções cada vez mais próximas do real à medida que os astronautas amadurecem.

Além de treinos para a ISS, o NBL tem sido usado para simulações de recuperação de cápsulas, incluindo ensaios do Orion para a missão Artemis 2, e também abriga testes de interesse não espaciais, como simulações para a indústria offshore. O texto da visita cita que empresas privadas já utilizaram o tanque para testar roupas espaciais; um exemplo mencionado foi a Axiom Space, que em 2025 divulgou uso do NBL para testar a Axiom Extravehicular Mobility Unit (AxEMU).

Hall observou que atualmente parte significativa da capacidade do NBL é ocupada pela Marinha dos EUA, mas afirmou que a instalação está aberta a ampliar serviços comerciais no futuro, mesmo que até o momento não tenham ocorrido treinamentos de recuperação contratados por empresas privadas.

Contratos e programas que impulsionam a transição para estações comerciais

O programa Commercial LEO Destinations (CLD) é a peça central da estratégia da NASA para ter estações privadas quando a ISS se aposentar. Em 2021 a agência concedeu contratos iniciais somando cerca de US$ 415 milhões a três consórcios liderados por Nanoracks, Blue Origin e Northrop Grumman. Após considerar ajustes no escopo, a NASA prepara um novo pedido de propostas para avançar o CLD, de acordo com informações divulgadas durante a visita.

Além desses contratos com apoio do CLD, há sinais de iniciativas privadas independentes: empresas como a Vast Space estão desenvolvendo módulos autofinanciados quase prontos para voo, e a Bigelow Aerospace mantém um módulo inflável a bordo da ISS para testes de desempenho em longa duração. Esses projetos demonstram um ecossistema em crescimento que poderá recorrer às instalações e ao know‑how do JSC.

Durante a transição, a NASA se posiciona tanto como cliente quanto como fornecedora de conhecimento técnico, oferecendo expertise para desenhar operações em destinos comerciais sem abandonar a liderança técnica em áreas críticas de voo humano.

Operações conjuntas: o que está confirmado e o que ainda depende de decisões

No plano operacional imediato, o JSC já coordena treinamentos, simulações de emergência (incêndio, evacuação) e ensaios de procedimentos críticos que serão úteis a qualquer entidade que opere em órbita baixa. Exemplos práticos observados na Mission Control incluem o monitoramento do nível de equipamento que os astronautas carregam durante atividades — informação usada para decidir se é momento apropriado para contato — e o uso de mapas de voo para acompanhar janelas de comunicação conforme a ISS passa por satélites e estações terrestres.

O horizonte de transição mantém incertezas: a ISS está programada para operar ao menos até cerca de 2030, mas uma extensão é possível se o Congresso assim determinar. Enquanto isso, a agência planeja avançar o CLD por meio do novo pedido de propostas, e o JSC já oferece às empresas acesso a instalações e experiência operativa que podem facilitar tanto contratos de serviço quanto parcerias para estações comerciais.

O leitor precisa saber: o Johnson Space Center está ativamente integrando empresas privadas em rotinas de treinamento e operação, oferecendo instalações como Mission Control, Building 9 e o Neutral Buoyancy Laboratory. Essas capacidades apoiam a meta do CLD de estações comerciais após a ISS, cuja operação segue prevista até cerca de 2030, com possibilidade de extensão se o Congresso indicar.

Fonte consultada: Space.com

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