O telescópio espacial Nancy Grace Roman decolou com sucesso em 30 de agosto às 7h26 EDT a bordo de um foguete SpaceX Falcon Heavy, a partir do Complexo de Lançamento 39A, no Kennedy Space Center. O observatório iniciou uma transferência de aproximadamente 90 dias até o ponto de Lagrange Sol‑Terra L2, onde será comissionado e entrará em operação científica.
Fases iniciais após o lançamento e sequência de verificação
A NASA informou que o Falcon Heavy cumpriu o perfil de voo previsto e separou-se do observatório cerca de 31 minutos após o liftoff; a telemetria chegou à equipe de controle no Goddard Space Flight Center sete minutos depois da decolagem. Cerca de 1 hora e 23 minutos após o lançamento, os controladores confirmaram a implantação dos painéis solares e do escudo solar inferior do instrumento.
Nos dias seguintes estão previstas a implantação da antena de alto ganho, a abertura do visor‑protetor do instrumento e as duas correções de trajetória iniciais. Durante a fase de transferência, as comunicações serão progressivamente transferidas para a Deep Space Network — começando por Canberra (Austrália), depois Madrid (Espanha) e, por fim, Goldstone (Califórnia) — para garantir contato contínuo enquanto Roman segue rumo a L2, a cerca de um milhão de milhas da Terra.
Também nos próximos dias a equipe ligará e testará o Coronagraph Instrument, que demonstrará técnicas ópticas para missões futuras. A NASA descreve essas atividades como parte da rotina de lançamento e primeiros passos, com diagnósticos e ajustes que precedem o comissionamento completo do telescópio.
Instrumentos, capacidade de coleta de dados e calendário para as primeiras imagens
O principal instrumento do Roman é o Wide Field Instrument (WFI), uma câmera infravermelha de 300 megapixels composta por 18 detectores 4K. A NASA ressalta que esse arranjo permite varrer amplas regiões do céu muito mais rapidamente do que missões anteriores.
A agência estima que o observatório enviará cerca de 1,4 terabytes de dados por dia — a maior taxa prevista para missões de astrofísica da NASA até hoje. Além do WFI, o Coronagraph Instrument será ligado e testado para verificar tecnologias que poderemos usar para fotografar planetas ao redor de outras estrelas.
Segundo a NASA, nas primeiras semanas após o lançamento os instrumentos serão ligados e calibrados; o WFI deve entrar em operação algumas semanas depois, e a agência antecipa liberar as primeiras imagens do Roman no início de 2027, ao término da fase de comissionamento.
Ligação do presidente na coletiva e histórico de propostas orçamentárias
Durante a coletiva de imprensa pós‑lançamento, o administrador da NASA, identificado na cobertura como Jared Isaacman, atendeu a um telefonema do presidente dos Estados Unidos e colocou o telefone ao microfone para que a sala inteira ouvisse. Segundo relato do Space.com, Trump disse: “I just want to thank everybody and congratulate you”, e afirmou ainda que "está fornecendo todo esse dinheiro" para a agência. A chamada durou mais de um minuto e incluiu comentários em tom elogioso sobre o programa espacial.
O episódio chamou atenção porque, como o próprio Space.com registrou, administrações anteriores já haviam proposto cancelar ou reduzir o financiamento do que viria a ser o Roman (então WFIRST). Entre 2019 e 2021, por exemplo, houve propostas de cancelamento em pedidos orçamentários; e documentos de passback de abril de 2025 propuseram cortes substanciais — cerca de 50% no financiamento científico da agência — que, se aprovados, teriam encerrado a missão.
Essas propostas não foram aprovadas pelo Congresso: este autorizou um orçamento da NASA de US$ 24,4 bilhões para o ano fiscal de 2026, mantendo o financiamento relativamente estável e permitindo que o Roman prosseguisse até o lançamento. Com o telescópio agora em rota a L2, a NASA seguirá publicando atualizações técnicas e científicas; as próximas semanas deverão confirmar o desempenho dos instrumentos e os ajustes operacionais antes do início das pesquisas em larga escala.
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