O que isso significa para o leitor
Para quem não completou o esquema vacinal o risco de contrair e transmitir sarampo é real; pessoas totalmente imunizadas não se tornam transmissores, de acordo com Kfouri. Crianças com menos de um ano — que não recebem a vacina — representam a maioria dos infectados e hospitalizados registrados na temporada.
Como o vírus se comporta e por que a vigilância importa
O vírus do sarampo se espalha por gotículas de saliva liberadas ao falar ou espirrar. Kfouri descreveu o ciclo de incubação e transmissão como de cerca de 20 dias: são 10 dias até os primeiros sintomas, dois dias de transmissibilidade antes da febre e mais 12 dias após o início da febre.
Por isso, segundo o especialista, os dois pilares para manter o país livre do sarampo são a vacinação e a vigilância. A vigilância envolve identificação de casos, isolamento e vacinação dos contatos; em uma cidade como São Paulo — um hub com eventos internacionais diários — a entrada de novos casos é esperada, e a resposta rápida é essencial para evitar cadeias de transmissão.
Onde ocorreram os casos e qual a estratégia recomendada
Na Grande São Paulo concentraram-se 23 dos 24 casos confirmados nesta temporada. Houve casos importados e uma cadeia de transmissão em que surgiram novos casos dentro de um grupo: na zona norte da capital foram registrados sete casos na Vila Medeiros e dois na Vila Maria, com cenário principal em uma escola de educação infantil. Ao menos um dos dois casos em Guarulhos está relacionado a esse grupo.
A prefeitura da capital confirmou que um caso veio da Bolívia, em fevereiro, e outro da Guatemala, em março. Kfouri alertou que a transmissão ocorre entre não imunizados, geralmente por falta de uma ou ambas as doses.
Como medida prática, o infectologista cita o reforço vacinal indiscriminado para alcançar quem não completou o esquema ou para reduzir a pequena margem de falha vacinal — estimada em 5% — que se aproxima de zero com uma terceira dose. Ele avalia que a dose de reforço resolve o problema a baixo custo e que equipes de saúde estão treinadas, com testes disponíveis e ações de vigilância ocorrendo em tempo adequado.
Resumo prático: se você não tem o esquema de vacinação contra o sarampo completo, procure a rede de saúde para atualizar a situação. A proteção coletiva depende de alta cobertura homogênea e da ação rápida das autoridades de saúde.
Fonte consultada:
Agência Brasil - Últimas Notícias
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