O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria rejeitado a proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, segundo reportagem do Wall Street Journal citada por autoridades americanas não identificadas. Analistas e autoridades citadas nas reportagens dizem que a recusa aumenta a possibilidade de retomada de ataques contra o Irã após as eleições legislativas dos EUA em novembro.
Proposta do Irã: passos, condições e cronograma de sete dias
O plano apresentado por Teerã foi detalhado pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi. Segundo ele, o roteiro exige que os EUA cumpram, em prazo acelerado, compromissos do memorando de entendimento de 17 de junho: a liberação de US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados, o fim das sanções sobre o petróleo do Irã e a suspensão do que Teerã chama de bloqueio naval a portos iranianos.
Araghchi disse que as medidas iniciais levariam quatro a cinco dias para serem implementadas; no sexto dia o tráfego pelo estreito poderia ser restabelecido e, no sétimo, começariam negociações sobre um acordo final. Ele afirmou que “a escolha agora está com os Estados Unidos.”
O roteiro também condiciona a abertura do estreito a um cessar-fogo que incluiria ações em áreas como o sul do Líbano. As informações sobre o conteúdo e o calendário da proposta foram relatadas nas reportagens consultadas e atribuídas às declarações de autoridades iranianas na Assembleia Geral da ONU e a coberturas jornalísticas.
Resposta dos EUA e negociações mediadas pelo Catar
O governo americano não deu resposta pública ao plano. O Wall Street Journal relatou que Trump descartou a proposta, citando autoridades não identificadas que teriam informado o Presidente ser cético quanto ao cumprimento, por parte do Irã, das condições exigidas pelos EUA.
Um funcionário dos EUA disse à Al Jazeera que Washington não tem pressa em responder e se considera em posição forte em relação ao estreito. As conversas diplomáticas continuam principalmente por meio de mediação do Catar, que tem trocado mensagens entre as partes durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York.
Nos bastidores, enviados americanos — incluindo Jared Kushner e Steve Witkoff, segundo as reportagens — participaram de reuniões mediadas com representantes iranianos; autoridades descrevem esses encontros como “positivos e construtivos”. Ao mesmo tempo, fontes citadas lembram grande ceticismo em Washington sobre se ambos os lados realmente concordam com os mesmos pré-requisitos.
Em paralelo à diplomacia, a cobertura registra sinais de retórica e gestos públicos: Trump publicou no Truth Social uma imagem de mapa rotulada como “Trump Strait”, e em discursos na Assembleia Geral ele chegou a advertir que considerava opções duras contra o Irã — declarações que as reportagens vinculam ao contexto político que molda a resposta americana.
Risco de escalada após as eleições e impacto sobre o tráfego de energia
Fontes citadas pelo Wall Street Journal disseram que Trump informou assessores esperar retomar uma campanha de bombardeios contra o Irã após as eleições legislativas de novembro. Analistas ouvidos nas matérias afirmam que um resultado eleitoral adverso ao Presidente poderia incentivá-lo a optar por ações unilaterais que provoquem curta escalada, seguida de negociações para limitar danos políticos.
O Estreito de Ormuz é estratégico: em período de paz, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural globais passa por ali. As reportagens ressaltam que interrupções no tráfego já afetaram o fornecimento de petróleo e pressionaram preços de energia e a economia global.
Até o momento não há confirmação pública de que Washington tenha aceitado o roteiro iraniano nem de que medidas concretas previstas na proposta tenham sido tomadas. O Irã aguarda uma resposta oficial dos EUA e as mediações do Catar prosseguem; nas próximas semanas, as sinalizações a observar incluem uma resposta formal de Washington, avanços nas conversas mediadas e mudanças claras na postura militar ou em ataques na região.
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