Agora
Brasil

STF valida leis que proíbem incentivos à Moratória da Soja e preocupa ambientalistas

STF validou leis de Mato Grosso e Rondônia que vedam incentivos a empresas da Moratória da Soja; ambientalistas alertam que medida pode desestimular compromissos e aumentar o desmatamento.

STF valida leis que proíbem incentivos à Moratória da Soja e preocupa ambientalistas
Compartilhar:

O Supremo Tribunal Federal considerou parcialmente constitucionais duas leis estaduais de Mato Grosso e Rondônia que proíbem a concessão de incentivos fiscais e de terrenos públicos a empresas participantes da Moratória da Soja, decisão que ambientalistas dizem poder desincentivar compromissos privados e elevar o risco de reversão na redução do desmatamento.

O que isso significa para o país

Segundo organizações ambientais, a validação dessas leis pode reduzir o engajamento do setor privado em acordos de desmatamento zero e dificultar o cumprimento das metas climáticas. A coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, afirmou que a declaração de constitucionalidade representa um retrocesso e pode reverter a boa notícia da redução do desmatamento na Amazônia no último ano.

Limites definidos pelo STF e efeitos práticos

Ao analisar as ações, os ministros consideraram legais as restrições impostas à concessão de benefícios. A Corte estabeleceu, porém, que a retirada ou redução de incentivos só poderá produzir efeito no exercício tributário seguinte ou, em casos especiais, após 90 dias. Também foi reconhecida a constitucionalidade da própria Moratória da Soja, e determinada a extinção de processos judiciais e administrativos que discutiam supostas ilegalidades do acordo.

Repercussões no setor privado e riscos apontados

Organizações relatam perda de participação privada no acordo desde a vigência de algumas dessas leis: a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) deixou o acordo em janeiro deste ano. Um estudo mencionado na cobertura estimou que, se a Moratória da Soja fosse extinta, haveria um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos.

Posição de ONGs

Para a gerente Jurídica do Greenpeace Brasil, Angela Barbarulo, há contradição em legitimar leis que enfraquecem um acordo visto como marco para o desmatamento zero na Amazônia; ela disse ver com muita preocupação a declaração de constitucionalidade das normas estaduais que discriminam compromissos ambientais mais avançados que o mínimo legal.

O que é a Moratória da Soja

A Moratória da Soja é um acordo voluntário, criado em 2006, no qual empresas se comprometem a não comercializar soja oriunda de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. Em troca, participantes recebiam benefícios como isenção de impostos, condições privilegiadas de crédito ou áreas públicas destinadas à produção.

Fonte consultada: Agência Brasil - Últimas Notícias

Avaliações e comentários

Entre na sua conta para comentar.

Ainda não há avaliações aprovadas.