Um alto representante da Organização das Nações Unidas advertiu que partes da Ásia e da África podem enfrentar uma crise de segurança alimentar se Estados Unidos e Irã não aceitarem rapidamente um plano da ONU para permitir a passagem de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz. O alerta foi feito com a aproximação da temporada de plantio, quando atrasos podem reduzir rendimentos agrícolas e pressionar preços.
Mecanismo da ONU: centro em Omã, verificações nos portos e rastreamento de navios
Segundo o subsecretário-geral da ONU, Jorge Moreira da Silva, o plano, desenhado em março, criaria um centro de coordenação com funcionários da ONU em Omã para registrar embarcações e supervisionar sua passagem pelo estreito. Monitores da ONU trabalhariam ao lado das autoridades locais nos portos do Golfo para verificar o carregamento das cargas.
Durante o trânsito, os navios seriam rastreados e poderiam ser submetidos a inspeções adicionais caso algum país levantasse preocupações sobre a embarcação ou sua carga, disse Moreira da Silva à Reuters, em Bangkok. Ele afirmou que o mecanismo poderia ser ativado em sete a dez dias se EUA e Irã concordarem com a proposta.
Moreira da Silva também estimou que o tráfego de apenas cinco embarcações por dia pelo estreito poderia ser suficiente para manter o fluxo de fertilizantes a países em necessidade crítica, segundo relato da Reuters.
Por que a passagem de fertilizantes é estratégica para safras e preços
O tráfego no Estreito de Ormuz sofreu forte interrupção desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com ataques a embarcações e trocas de fogo na região. Antes do confronto, cerca de um terço das remessas globais de ureia e quase metade do enxofre embarcado passavam pelo estreito.
Instituições como o International Food Policy Research Institute informaram que, em meio à crise, produtos fertilizantes representam uma parcela "muito negligível" do comércio que tem conseguido atravessar o estreito. A ONU alerta que perder a janela de plantio poderia reduzir rendimentos e aumentar os preços dos alimentos.
A própria FAO advertiu que a escassez de fertilizantes pode apertar estoques alimentares de forma mais intensa entre 2026 e 2027, tornando mais grave o impacto em países já vulneráveis a choques climáticos ou crises econômicas.
Negociações entre EUA e Irã e por que o plano ainda não avançou
Fontes relatam que EUA e Irã trocaram propostas por intermediários desde que um cessar-fogo interino de junho ruiu, mas os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz empacaram. Segundo a cobertura da Reuters citada pela Al Jazeera, o impasse decorre das condições postas por Teerã e da exigência de Washington de que o programa nuclear iraniano seja tratado desde o início.
Moreira da Silva pediu que os dois países aprovem especificamente o mecanismo para fertilizantes enquanto seguem as discussões sobre um acordo mais amplo que restabeleça a liberdade de navegação. Ele não detalhou por que, até o momento, EUA e Irã não concordaram com a proposta.
A ativação rápida do mecanismo depende, portanto, de decisões diplomáticas entre Washington e Teerã; sem elas, o plano não pode ser implementado embora esteja pronto para funcionar em curto prazo.
O que está confirmado, o que permanece incerto e o risco imediato
Confirmado: a ONU tem um plano pronto, desenhado em março, e o subsecretário-geral Jorge Moreira da Silva afirmou que ele pode ser ativado em sete a dez dias se houver acordo entre EUA e Irã. Alcance confirmado: o impedimento na passagem de fertilizantes ameaça partes da Ásia e da África que dependem de importações.
Incerto: não há informação pública explicando por que EUA e Irã ainda não concordaram com a proposta, e não há, até agora, confirmação de danos concretos às colheitas decorrentes do atual impasse.
Risco imediato: sem um acordo rápido para ativar o mecanismo da ONU, há risco real de queda na produtividade agrícola em regiões que dependem de fertilizantes importados, com provável alta nos preços e impactos desproporcionais sobre agricultores em áreas já afetadas por escassez ou custos elevados.
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