O único jurado que se recusou a acompanhar os demais disse que não teve dúvidas de que Lindsay Clancy sabia o que fazia e planejou a morte dos três filhos, posição que manteve o impasse que levou o juiz a declarar mistrial em 4 de setembro.
O jurado que impediu o veredito: o que ele afirmou
Michael Desronvil disse à CBS News — parceira da BBC nos EUA — que, “com base em todas as provas físicas, testemunhas‑chave e na apresentação da acusação”, havia provas suficientes para concluir que Clancy agiu intencionalmente. Segundo ele, não teve dúvidas durante as quase 40 horas de deliberação.
Relatos de outros jurados indicam que o painel ficou dividido — segundo vários, 11 a 1 a favor de considerar Clancy não criminalmente responsável — e que eles passaram vários dias tentando convencer Desronvil a mudar de posição. Uma colega chegou a dizer que, ao preencher as folhas de veredicto, ele teria afirmado ter dúvida razoável e, em seguida, ter declarado que ainda assim não diria que ela não era culpada por insanidade.
Desronvil afirmou também que, ao tentar explicar diferentes teorias durante as deliberações, era interrompido como se suas dúvidas não se apoiassem nas provas apresentadas. Nos EUA, após o fim do processo qualquer jurado pode falar publicamente sobre as deliberações, embora as identidades não tenham sido oficialmente divulgadas.
Mistrial, próximas datas e reações da defesa
A declaração de mistrial deixou o caso sem veredito final. Os promotores ainda não disseram se vão pedir um novo julgamento. A próxima audiência no Plymouth Superior Court, em Massachusetts, está marcada para 29 de setembro.
O advogado de Clancy, Kevin Reddington, afirmou que espera chegar a um acordo com os promotores para evitar um segundo julgamento e disse estar chateado com o fato de o jurado não ter absolvido a ré. Segundo a BBC, ele disse à ABC's Good Morning America que o jurado “não aplicou a lei da dúvida razoável” conforme instrução do juiz.
O pai das crianças, Patrick Clancy, deve falar em entrevista ao programa 60 Minutes sobre a perda, memórias e as teorias que circularam nas redes sociais, segundo relatos após o julgamento.
Provas centrais no julgamento e divergência sobre saúde mental
Clancy admitiu as mortes. A acusação susteve que os homicídios foram calculados; a defesa argumentou que ela sofria de psicose pós‑parto. O tribunal ouviu relatos sobre o histórico recente de medicação e pedidos de ajuda — incluindo contato com uma linha de prevenção ao suicídio e atendimento em emergência — apresentados pela defesa como evidência do estado mental de Clancy antes dos crimes.
Pelo menos dois psiquiatras depuseram em lados opostos: um perito indicado pela defesa relatou que Clancy teve uma “alucinação de comando” e uma “delusão de influência” no episódio; outro psiquiatra, que depôs pela acusação, afirmou que não observou sinais de psicose nas sessões que conduziu. Também foi mencionado nos autos que a condição não é atualmente reconhecida pela American Psychiatric Association.
Segundo a acusação, os três filhos — Cora, de cinco anos; Dawson, de três; e Callan, de oito meses — foram estrangulados na casa da família e Clancy, em seguida, pulou de uma janela do segundo andar. Ela enfrenta três acusações de homicídio em primeiro grau. Sob a lei de Massachusetts, os promotores precisavam convencer o júri além de qualquer dúvida razoável de que Clancy era criminalmente responsável; a defesa não tinha obrigação de provar a doença mental.
A reportagem publicada pela BBC traz aviso sobre detalhes perturbadores contidos no processo.
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