As exportações brasileiras aos Estados Unidos registraram uma queda expressiva no primeiro semestre de 2026, ampliando a preocupação de empresas e setores que dependem do mercado norte-americano.
De janeiro a junho, o Brasil exportou aproximadamente US$ 17,4 bilhões para os Estados Unidos. O valor representa uma redução de 13% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O resultado confirma uma perda de força no comércio entre os dois países. Depois de atingir o recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações para os Estados Unidos em 2024, o valor recuou para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuou caindo ao longo de 2026.
Entre os setores que mais contribuíram para essa retração está o de petróleo. Os embarques brasileiros de óleos brutos para os Estados Unidos caíram 30,4% no primeiro semestre.
Também houve uma redução de 21,7% nas exportações de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço.
Esses produtos possuem peso relevante na pauta de exportações do Brasil. Por isso, quedas acentuadas nesses segmentos afetam diretamente o resultado geral do comércio bilateral.
Além da redução no valor exportado, os Estados Unidos também perderam participação entre os principais destinos dos produtos brasileiros.
No primeiro semestre de 2025, o mercado norte-americano respondia por 12,1% das exportações brasileiras. No mesmo período de 2026, essa participação caiu para 9,4%.
A queda ocorre em meio à adoção de novas medidas tarifárias pelos Estados Unidos. Em julho de 2026, o governo norte-americano estabeleceu sobretaxas adicionais sobre determinadas parcelas das importações originárias do Brasil.
Uma das medidas criou uma tarifa adicional de 25% para determinados produtos brasileiros. Outra estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% ligada a uma investigação sobre práticas de combate ao trabalho forçado nas cadeias globais.
Em alguns casos, as duas cobranças podem se acumular, levando a uma sobretaxa total de 37,5% sobre determinados produtos.
Segundo estimativa do governo brasileiro, aproximadamente 23,1% das exportações do Brasil para os Estados Unidos estão sujeitas às novas sobretaxas relacionadas às investigações comerciais norte-americanas.
Entre os produtos que podem ser atingidos estão máquinas, equipamentos, madeira, óleos, calçados, móveis e confecções.
Por outro lado, cerca de 52,7% das exportações brasileiras ao mercado norte-americano permanecem fora dessas sobretaxas adicionais específicas.
Nesse grupo estão produtos como café, carnes, aeronaves, suco de laranja, frutas, celulose, ferro fundido e diversos produtos químicos.
Mesmo com as exceções, o aumento das tarifas torna os produtos brasileiros mais caros nos Estados Unidos. Isso pode reduzir a competitividade das empresas nacionais diante de fornecedores de outros países.
Para as empresas brasileiras, o impacto pode aparecer de diferentes formas. Algumas podem enfrentar redução nas encomendas, diminuição das margens de lucro ou necessidade de renegociar contratos.
Empresas menores podem sentir ainda mais os efeitos, principalmente quando dependem de poucos compradores ou possuem dificuldade para encontrar mercados alternativos.
A queda das exportações também pode afetar investimentos e empregos em setores voltados ao mercado externo. Quando uma empresa vende menos, pode adiar expansão, reduzir produção ou rever contratações.
Apesar da retração nas vendas para os Estados Unidos, o comércio exterior brasileiro como um todo continua apresentando resultados positivos.
Em junho de 2026, o Brasil exportou US$ 36,3 bilhões e importou US$ 26,5 bilhões, alcançando superávit comercial de US$ 9,8 bilhões.
Isso mostra que a queda no mercado norte-americano não significa necessariamente uma crise generalizada das exportações brasileiras. O país continua vendendo produtos para diversos outros destinos.
O desafio será ampliar a presença em mercados alternativos sem perder o espaço conquistado nos Estados Unidos, que continuam sendo um dos parceiros comerciais mais importantes do Brasil.
Buscar novos compradores na Ásia, Europa, América Latina, Oriente Médio e África pode ajudar empresas brasileiras a reduzir a dependência de um único mercado.
Ao mesmo tempo, negociações diplomáticas e comerciais serão importantes para tentar diminuir as barreiras impostas aos produtos brasileiros.
Para o consumidor comum, os efeitos podem não aparecer imediatamente. No entanto, uma redução prolongada das exportações pode influenciar empregos, investimentos, arrecadação e crescimento econômico.
Os próximos meses serão decisivos para verificar se a queda representa uma mudança duradoura no comércio entre Brasil e Estados Unidos ou apenas um período de ajuste diante das novas tarifas.
O cenário exige atenção das empresas, do governo e dos trabalhadores ligados aos setores exportadores. A disputa comercial deixou de ser apenas uma discussão diplomática e passou a produzir consequências concretas para a economia brasileira.
Fontes: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e Secretaria de Comércio Exterior.
Exportações brasileiras aos Estados Unidos caem 13% em 2026: entenda o impacto das novas tarifas
As novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos já começam a mudar o fluxo das exportações brasileiras. Setores como petróleo, aço e produtos industrializados enfrentam perdas, enquanto empresas buscam novos compradores em outros países.
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