O Programa Mundial de Alimentos (PMA) informou que, nas áreas do Iêmen sob controle do governo, um número recorde de pessoas deixou de suprir as próprias necessidades alimentares e três em cada quatro famílias relataram pular refeições. A piora foi anunciada em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (2) e foi apresentada por Matthew Hollingworth, diretor-executivo adjunto do PMA para Operações de Programa, em videoconferência de Roma para repórteres em Genebra.
Alcance do problema nas áreas controladas pelo governo
O PMA concentra sua avaliação nas áreas controladas pelo governo, onde a população total é estimada em cerca de 10 milhões de pessoas. É nessas localidades — às quais a agência afirma ter acesso operacional — que o número recorde de pessoas incapazes de suprir necessidades alimentares foi registrado.
Segundo o PMA, famílias nessas áreas estão reduzindo refeições em larga escala: três em cada quatro já relataram pular refeições. A organização alerta que esse padrão de privação alimentar se intensou nas últimas semanas, na sequência da retomada das hostilidades.
Além da insegurança alimentar, a retomada do conflito já provocou deslocamentos de dezenas de milhares de pessoas, segundo a ONU, ampliando a pressão sobre populações e serviços locais nas zonas governamentais acessíveis ao PMA.
Fonte, dados divulgados e limitações das conclusões
A informação foi divulgada pelo PMA e relatada pela Agência Brasil a partir do pronunciamento de Hollingworth. No comunicado, ele afirmou: “O efeito desse recente surto de insegurança sobre a situação de segurança alimentar ameaça ser absolutamente devastador”.
Os achados citados concentram-se explicitamente nas áreas de que o PMA tem acesso operacional. O relatório não apresenta dados — no material disponível — sobre a situação alimentar em áreas fora do controle do governo nem números detalhados de vítimas.
Também não há, nas evidências divulgadas, confirmação de interrupções diretas nas rotas marítimas; a possibilidade de implicações para as rotas do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb foi mencionada como uma consequência potencial da retomada do conflito, não como fato confirmado.
Contexto do conflito e consequências imediatas apontadas
O agravamento ocorre na esteira da escalada entre a Arábia Saudita e o grupo houthi, aliado ao Irã — a pior desde que um acordo de trégua mediado pela ONU reduziu ataques transfronteiriços em 2022, segundo o material divulgado.
O PMA e a ONU vinculam a piora da segurança alimentar à retomada das hostilidades, que em poucas semanas gerou deslocamentos em grande número e, conforme o próprio relatório, pode redefinir controle territorial no país.
O que acompanhar: atualizações do PMA e da ONU sobre segurança alimentar e deslocamentos, e informações sobre a evolução do conflito entre Arábia Saudita e houthis, que motivou a piora recente e cujo desdobramento pode alterar ainda mais acesso humanitário e rotas comerciais mencionadas.
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