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Chefes de espionagem europeus: Rússia pode testar a Otan 'em meses, não anos'

Líderes de inteligência da República Tcheca, Suécia e dos países bálticos disseram ao Guardian que Moscou prepara ações mais incisivas na Europa — de sabotagem a ataques com drones — e que o esforço visa também efeito psicológico.

Chefes de espionagem europeus: Rússia pode testar a Otan 'em meses, não anos'
Imagem de capa: Staselnik — CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
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Chefes de serviços de inteligência europeus disseram ao Guardian que a Rússia pode intensificar ações contra a Europa num horizonte de "meses, não anos". As avaliações, feitas em entrevistas separadas, apontam para uma combinação de sabotagem, ataques com drones e mísseis e possíveis incursões localizadas em fronteiras, além de campanhas de influência destinadas a semear pânico e fissuras na aliança.

Avaliação dos chefes de inteligência tcheco, sueco e bálticos

Michal Koudelka, diretor do serviço de segurança da República Tcheca (BIS), afirmou que, além do aumento da atividade de drones, o Kremlin poderia considerar uma "incursão limitada", operações de bandeira falsa e uma "massiva campanha de influência". Ele usou a expressão "meses, não anos" para descrever o prazo em que esse cenário poderia evoluir, mas também afirmou que "muita gente está fazendo tudo o que pode para garantir que isso não aconteça".

Os dirigentes das agências bálticas mostraram postura mais cautelosa. Normunds Mežviets, diretor-geral do serviço de segurança da Letônia (VDD), disse não ver sinais de um ataque iminente, embora reconheça indícios de que Moscou prepara ações mais decisivas na Europa. Mežviets ponderou se tais preparativos são planos concretos ou parte de uma estratégia maior de desestabilização para espalhar medo e incerteza.

Thomas Nilsson, chefe da inteligência militar da Suécia, qualificou como "gamechanger" o incidente com um drone armado no aeroporto de Leipzig — atribuído por autoridades alemãs à inteligência russa — e advertiu que ataques que provoquem mortes ou atinjam infraestrutura crítica teriam impacto social profundo. Todos os dirigentes consultados recusaram-se a divulgar detalhes operacionais ao público.

Alvos citados e o efeito psicológico buscado

Os serviços apontam como prováveis alvos infraestrutura ferroviária, instalações de apoio à Ucrânia e setores ligados ao setor de defesa. Mežviets disse que, ao mirar em alvos relacionados ao apoio a Kiev, a operação produz simultaneamente dano material e um efeito de "psy-op" — amplificando a pressão política sobre governos que apoiam a Ucrânia.

Koudelka sublinhou um efeito secundário buscado pela campanha russa: forçar os serviços de segurança a investigar incêndios e falhas técnicas como possíveis atos de sabotagem, o que acaba por sobrecarregar recursos e criar incerteza mesmo quando a causa for não intencional. Nilsson identificou objetivos claros na intensificação de sabotagens: reduzir o apoio ocidental à Ucrânia, semear divisões na Otan e alarmar populações europeias.

As descrições das possíveis táticas incluem ataques ostensivos, operações de falsa bandeira e ações de menor escala que testem limites e reações — medidas que, segundo os entrevistados, já foram observadas em incidentes recentes e em padrões de atividade dirigidos a países que mais apoiam Kiev.

Reação política na Europa e canais diplomáticos citados

No plano político, o primeiro‑ministro polonês Donald Tusk levou ao parlamento a avaliação de que a Rússia poderia testar a Otan com ataques com drones ou mísseis nos próximos meses, argumentando que isso serviria para demonstrar que o artigo 5.º "é mais teórico do que prático". O presidente francês Emmanuel Macron descreveu a avaliação como "sound and well‑documented" e convocou líderes partidários para reunião de emergência em Paris.

Fontes citadas na cobertura mencionaram viagens de emissários americanos à região — incluindo uma visita surpresa do diretor da CIA a Moscou com escala em Riga — e deslocamentos de outros enviados dos EUA, interpretados como tentativas de comunicação e advertência ao Kremlin. O porta‑voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou as alegações, afirmando que elas "não correspondem à realidade" nem às intenções russas.

Analistas entrevistados observaram ainda que esforços diplomáticos recentes para retomar negociações sobre a Ucrânia não mudam automaticamente a avaliação de risco: Nilsson disse não ver sinais de intenção séria de negociação em Moscou e descreveu parte das iniciativas como "teatro de negociação". Os responsáveis de inteligência, porém, não comentaram detalhes específicos sobre evidências que embasem as avaliações públicas.

Indicadores a acompanhar nas próximas semanas

As fontes apontam sinais concretos que devem ser monitorados: relatos de aumento na atividade de drones, incidentes em infraestruturas de transporte e energia, e comunicados oficiais que confirmem ameaças específicas. Esses elementos, dizem os entrevistados, seriam indícios de escalada, ainda que não provem planos de ataque inalteráveis.

Ao mesmo tempo, autoridades bálticas alertam para o risco de pânico nas redes sociais e pedem mensagens públicas comedidas; Jonatan Vseviov, secretário‑geral do ministério das Relações Exteriores da Estônia, pediu calma, lembrando que, "se houver motivo para temer um ataque, isso será tornado claro". Os analistas consultados preveem uma intensificação da campanha de sabotagem russa nos próximos meses, sem, contudo, confirmar ataques concretos já em preparação.

Em síntese, a avaliação compartilhada nas entrevistas é dupla: existe um razoável receio de maior agressividade russa em curto prazo, mas há incerteza sobre se isso será executado como operações concretas ou mantido como estratégia de pressão e desestabilização.

Fonte consultada: The Guardian - World

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