Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou nova política que limita a participação em competições femininas a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer. A oposta Tifanny, de 41 anos e primeira jogadora transgênero a atuar na Superliga, reagiu ao anúncio chamando a medida de "enorme retrocesso" e afirmando que não desistirá de seguir jogando.
O que isso significa para a jogadora
Em pronunciamento compartilhado pela assessoria do Osasco São Cristóvão Saúde, Tifanny afirmou que a decisão da CBV tira dela o amor pelo voleibol e a profissão que exerce há anos, e que a medida afeta também o clube, a torcida, patrocinadores e pessoas que se inspiram nela.
Ela afirmou ainda que não vai se calar e pretende tomar todas as medidas possíveis para defender o direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte.
Detalhes da nova regra
A CBV informou que pretende alinhar-se às regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). A nova política exige, entre outros critérios, a apresentação de resultado negativo para o gene SRY.
Antes da mudança, a elegibilidade de mulheres trans na modalidade era condicionada a níveis de testosterona sérica abaixo de um limite estabelecido. A confederação determinou que a nova regra já vale para as edições deste ano da Superliga (nas duas principais divisões) e da Supercopa, e também para a Copa Brasil e o Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027.
Estréia do Osasco e posição da Federação Paulista
O pronunciamento de Tifanny foi feito após a estreia do Osasco no Campeonato Paulista, na noite de sábado (15), no Ginásio José Liberatti, contra o Pinheiros. Apesar dos 19 pontos de Tifanny e do apoio da torcida, o Osasco perdeu por 3 sets a 2, com parciais de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, em pouco mais de duas horas de partida.
A participação da oposta no jogo ocorreu porque a Federação Paulista de Volleyball (FPV) respondeu que o Estadual seguiria o regulamento em vigor desde o início do torneio. A FPV declarou que "eventuais medidas" serão tomadas para as próximas competições após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde.
Impacto e próximos passos
Com a regra em vigor para as principais competições nacionais indicadas pela CBV, atletas e clubes afetados poderão buscar definições jurídicas e administrativas. Tifanny afirmou que buscará medidas para contestar a mudança e defender a inclusão no esporte, enquanto entidades estaduais, como a FPV, avaliam efeitos e próximos encaminhamentos.
O leitor deve observar que as informações sobre critérios e o alcance da aplicação foram divulgadas pela própria CBV e complementadas pela posição pública de Tifanny e da FPV, conforme comunicado compartilhado pela assessoria do Osasco.
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