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Catar: fechar Bab el‑Mandeb agravaria crise e prejudicaria comércio e energia

O Catar alertou que a perda de acesso ao estreito de Bab el‑Mandeb, após avanços dos houthis no Mar Vermelho, tornaria mais grave a crise já provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e teria impacto significativo no comércio e no abastecimento de energia.

Catar: fechar Bab el‑Mandeb agravaria crise e prejudicaria comércio e energia
Imagem de capa: Diego Delso — CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
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O Catar pediu esforços internacionais para manter aberto o estreito de Bab el‑Mandeb, advertindo que a perda desse ponto de passagem agravaria a interrupção já provocada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz. Em entrevista em Doha, Ibrahim bin Sultan Al Hashmi, diretor de mídia do ministério das Relações Exteriores do Catar, disse que “o mundo já sofre o suficiente com o fechamento do Estreito de Ormuz” e que incluir Bab el‑Mandeb na equação seria “catastrófico”.

Como o fechamento de Bab el‑Mandeb afetaria comércio e suprimento de energia

Bab el‑Mandeb conecta o Golfo de Aden ao Mar Vermelho; navios que viajam da Ásia para a Europa pelo Canal de Suez precisam atravessá‑lo. O estreito é, portanto, um corredor-chave para rotas comerciais e para a circulação de petróleo e gás que seguem pelo Canal de Suez.

Relatos citam a Administração de Informação de Energia dos EUA (US EIA) sobre episódios anteriores em que ataques no Mar Vermelho forçaram embarcações a contornar a África do Sul, aumentando tempo de viagem e custos de transporte. Embora a Arábia Saudita disponha da tubulação East‑West para contornar o Hormuz, petroleiros que saem de portos no Mar Vermelho ainda dependem de Bab el‑Mandeb para alcançar rotas internacionais.

A soma de pressões — o bloqueio em Ormuz e interrupções no Mar Vermelho — elevaria o risco de atrasos e custos adicionais no comércio e no fluxo de energia, segundo a advertência de autoridades do Catar citadas na reportagem.

Controle de ilhas e operações militares no Mar Vermelho

A ofensiva dos houthis na costa do Mar Vermelho elevou o risco à rota: autoridades houthi e do governo iemenita reconhecido internacionalmente disseram que o grupo tomou as ilhas Greater e Lesser Hanish após a retirada de forças aliadas ao governo. Os houthis já haviam capturado o porto de Mokha e a ilha Perim, localizada na entrada do estreito.

O governo iemenita reconhecido tenta reorganizar suas forças após essas perdas, com apoio da Arábia Saudita. Em paralelo, os houthis têm lançado ataques contra infraestrutura petrolífera saudita e contra navios no Mar Vermelho, e anunciaram em julho um bloqueio ao tráfego saudita.

Essas ações no Mar Vermelho somam‑se a bloqueios e interrupções anteriores no Estreito de Ormuz — atribuídos, segundo a cobertura, a medidas de Estados Unidos e Irã em lados opostos da Península Arábica — ampliando a pressão sobre rotas marítimas da região.

Resposta do Catar e sinais que determinarão riscos concretos

Em Doha, Al Hashmi reiterou que o bloqueio de vias marítimas internacionais não pode se tornar o “novo normal” e pediu esforços diplomáticos conjuntos. O Catar disse estar trabalhando com parceiros regionais e internacionais para apoiar negociações sobre a liberdade de navegação em Ormuz e defendeu a resolução por via diplomática.

Estão confirmados, conforme a reportagem: a tomada de Greater e Lesser Hanish pelos houthis, a ocupação anterior de Mokha e Perim, e ataques contra alvos petrolíferos e navios. O que permanece incerto é se o avanço dos houthis se traduzirá em um fechamento efetivo e duradouro de Bab el‑Mandeb e em que escala isso interromperia o comércio global.

Fatores a acompanhar nas próximas semanas: a evolução do controle das ilhas no Mar Vermelho; o andamento das negociações diplomáticas que o Catar diz apoiar; e a continuidade ou não dos ataques a navios e infraestrutura energética — elementos que definirão se o risco declarado a Bab el‑Mandeb se transformará em interrupções concretas nas rotas de comércio e suprimento de energia.

Fonte consultada: Euronews - World News

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